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AMOR (II)
ZAMBRANO, María. Dos fragmentos sobre el amor. 1982
- O amor é essencialmente agente de transcendência, pois abre o futuro como abertura ilimitada para uma vida verdadeira que ultrapassa a mera repetição do porvir e exerce também atração sobre a própria História.
- O futuro distingue-se do porvir como repetição previsível.
- A transcendência inaugura uma vida percebida como autêntica.
- A História é atraída por essa abertura.
- O amor, ao prometer de modo indecifrável, desqualifica toda realização e atua como força destruidora que revela a inanidade das coisas, expondo o vazio e a nada tanto no objeto amado quanto na vida daquele que ama, arrastando o ser desde o não-ser para uma realidade que se mostra e se oculta.
- A promessa do amor torna insuficiente qualquer conquista.
- Revela o vazio inerente às coisas.
- Descobre o não-ser e a nada.
- A criação por amor remete ao surgimento a partir da nada.
- O amado é elevado a uma realidade aspirada e ainda não realizada.
- O amor realiza um movimento contínuo entre zonas antagônicas da realidade, penetrando nela para descobrir simultaneamente o ser e o não-ser, aspirando sempre além de qualquer projeto e dissolvendo toda consistência estabelecida.
- Transita entre polos contraditórios.
- Descobre os infernos da realidade.
- Desfaz as estruturas consolidadas.
- Ao destruir as falsas consistências, o amor dá origem à consciência, elevando o ímpeto vital à alma e, ao revelar a inanidade do que é fixado, expande a consciência por meio do desengano.
- Conduz a avidez vital ao plano da alma.
- Revela os limites da alma.
- A consciência cresce após o desengano amoroso.
- O chamado engano do amor não constitui erro contingente, mas necessidade de sua essência, pois ao revelar uma realidade que transcende o amante, instaura transcendência e mantém como verdade aquilo que foi amado, ainda que não plenamente realizado.
- O engano permite ultrapassar limites.
- O amado conserva sua verdade.
- A verdade espera no futuro.
- Ao revelar o lado negativo da vida e realizar o contraditório, o amor transforma o sentido da morte e encontra-se com a esperança no ponto em que esta carece de argumentos.
- A morte torna-se vivente.
- A esperança depende da preparação operada pelo amor.
- O amor serve à esperança.
- O amor, ao integrar a pessoa e conduzi-la à entrega, exige sacrifício e antecipa a morte como aprendizado, fundamento inclusive da maturidade para a morte em determinadas tradições filosóficas.
- A pessoa é unificada pelo amor.
- O sacrifício antecipa a morte.
- A disposição para morrer nasce de um amor específico.
- Nenhuma transformação íntima ocorre por ideias isoladas, mas apenas quando elas correspondem ao anseio profundo do ser humano, caso contrário tornam-se letra morta ou obsessão.
- As ideias precisam corresponder ao anseio.
- Sem essa correspondência, perdem vitalidade.
- O amor, apresentado na modernidade como amor-paixão, manifesta-se em episódios que integram uma história mais ampla e oculta, atuando como fogo purificador e forma de conhecimento direto frequentemente encoberto sob expressões objetivas.
- A paixão é estação necessária.
- O amor atua como instrumento de consunção.
- Produz conhecimento inexprimível.
- Manifesta-se sob formas aparentemente frias.
- A ação mais profunda do amor revela-se no refinamento do ser e no deslocamento do centro de gravidade da pessoa, conduzindo-a a viver fora de si e a orientar-se para um futuro inimaginável que inspira criação e unifica vida e morte.
- O centro de gravidade desloca-se para o amado.
- Surge a experiência de viver fora de si.
- O amor inspira criação e futuro não previsto.
- Vida e morte tornam-se momentos de um renascer contínuo.
- O amor remete ao mais oculto da divindade.
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