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Hölderlin e Antígona: Tradução, Trágico e Revolução do Sentido

STEINER, George. Antigones. New Haven London: Yale University Press, 1996.

  • Situação histórica da recepção de Hölderlin
    • Relações pessoais e intelectuais assimétricas
      • A relação de Hegel com Hölderlin é marcada por intimidade precoce e ruptura trágica
      • A relação de Goethe com Hölderlin é caracterizada por distanciamento e rejeição explícita
    • Reação negativa inicial às traduções de Sófocles
      • A leitura de passagens da Antígona de Hölderlin a Goethe e Schiller em 1804 provoca repulsa
      • A tradução é percebida como sintoma de colapso mental
    • Consolidação do diagnóstico de Umnachtung
      • Goethe, Schiller, Schelling e edições do século XIX interpretam o trabalho tardio como produto de desrazão
      • Mesmo análises posteriores, como a de Dilthey, permanecem cautelosas e depreciativas
  • Reavaliação filológica e hermenêutica no século XX
    • Virada crítica com Hellingrath
      • A edição de 1911 dos Píndaros de Hölderlin inaugura uma leitura positiva e estrutural
    • Reconhecimento da excelência poética
      • Karl Reinhardt declara Antigona e Oedipus der Tyrann como poesia suprema
      • Schadewaldt afirma a superioridade hermenêutica da leitura hölderliniana
    • Ampliação do impacto para além da filologia
      • A Antígona de Hölderlin torna-se central para a hermenêutica moderna
      • O texto adquire estatuto decisivo na teoria do significado e da tradução
  • Hölderlin como matriz do modernismo linguístico
    • Radicalização dos meios lexicais e sintáticos
      • Abandono da linearidade lógica e da referência externa
      • Construção de coerência interna por imagens e metáforas
    • Antecipação de Mallarmé e da poética da fragmentação
      • Estruturas paratáticas e elípticas como forma de pensamento
    • Centralidade para a semiótica e a desconstrução
    • Influência decisiva sobre Walter Benjamin
      • A teoria da tradução como derivação direta da prática hölderliniana
      • O perigo da clausura da linguagem como risco constitutivo da tradução absoluta
  • Inserção filosófica da Antígona de Hölderlin
    • Articulação com a filosofia da linguagem
      • A tradução como ato ontológico, não apenas técnico
    • Vínculo com Heidegger
      • A Antígona como paradigma do logos em sua autonomia
      • Relação com o exílio e a tentativa de retorno ao habitar originário
    • Transição do ideal ático ao extremismo trágico
      • Do classicismo equilibrado à apropriação violenta do divino
      • Continuidade histórica até Wagner e Nietzsche
  • O conflito com o classicismo goethiano
    • Rejeição do excesso e da nudez emocional
      • Goethe percebe em Hölderlin uma ameaça política e espiritual
    • Oposição entre duas apropriações do antigo
      • Classicismo humanista e equilibrado
      • Anarquia auto-consumptiva e visionária
    • A violação sofocliana como escândalo
      • O uso extremo de Sófocles como ruptura simbólica
  • Indissociabilidade entre poética, hermenêutica e política
    • A tradução como gesto total
      • Nenhum detalhe linguístico é neutro
    • Unidade entre filologia e metafísica
      • A leitura de Antígona envolve simultaneamente linguagem, história e poder
    • Ideal de fusão entre consciência e mundo
      • A tradução como tentativa de retorno à unidade originária
  • Gênese e cronologia da tradução
    • Trabalho contínuo desde a década de 1790
      • Primeiras versões corais e epigramas
    • Período decisivo entre 1801 e 1802
      • Avanço substancial de Oedipus der Tyrann e Antigona
    • Revisões sob colapso pessoal
      • Alterações radicais em 1803
    • Publicação problemática em 1804
      • Erros tipográficos e incompletude editorial
  • Três níveis de teoria e prática da tradução
    • Primeira fase: fidelidade liberal
      • Transferência do sentido em idiomática alemã natural
      • Correspondência com o ideal clássico
    • Segunda fase: literalismo radical
      • Tradução palavra por palavra
      • Violação deliberada da gramática alemã
      • Influência pietista e filológica
    • Terceira fase: tradução metamórfica
      • Desenvolvimento tardio e extremo
      • Integração da tradução na filosofia da história
      • Superação ontológica do original
  • Temporalidade como agente transformador
    • O tempo como força teleológica
      • O original contém potencialidades não realizadas
    • Função do tradutor como executor do legado
      • Atualização das latências do texto
    • Violência amorosa da tradução
      • Conhecer o autor melhor do que ele próprio
    • Dimensão apocalíptica e pentecostal
      • Tradução como revelação
  • Dialética entre o grego e o hesperiano
    • Sobriedade junônica dos gregos
      • Contenção do fogo apolíneo
    • Condição moderna como inversão
      • Enraizamento terrestre e abertura ao excesso
    • Necessidade da exposição ao fogo
      • O poeta moderno deve suportar a chama
  • Tradução contra Sófocles
    • Revelação do substrato oriental
      • Desocultação do reprimido no clássico
    • Correção dos Kun.stfehler
      • A tradução como emenda histórica
    • Duplo movimento temporal
      • Cumprimento do futuro e retorno ao arcaico
    • Etimologia como método
      • Acesso às raízes incendiárias da linguagem
  • Correspondência entre teoria da tradução e teoria do trágico
    • Tradução como colisão
      • Encontro destrutivo entre línguas
    • Tragédia como colisão
      • Encontro entre forças inconciliáveis
    • Unidade cristalina
      • Tradução e tragédia como faces do mesmo processo
  • Trágico como Gottesgeschehen
    • A tragédia como evento divino
      • Manifestação da proximidade extrema do divino
    • Relação agônica entre homem e deus
      • Encontro por contrariedade
    • O orgânico e o aórgico
      • Limite cívico e excesso vital
    • Ilusão da síntese
      • A unidade é momentânea e fatal
  • Morte trágica como restauração
    • Autodestruição do protagonista
      • O sacrifício como condição de equilíbrio
    • Fator histórico
      • A tragédia emerge em tempos revolucionários
    • Revolução como forma secular do trágico
  • Oedipus como preparação para Antígona
    • Erro de leitura oracular
      • Interpretação ilimitada da mensagem divina
    • Nefas como categoria central
      • Curiosidade furiosa e excesso cognitivo
    • Diálogo como campo de aniquilação
      • Rede contra rede
    • Traição sagrada
      • O herói como traidor necessário do divino
  • Antígona como culminação trágica
    • Momento de inversão nacional
      • Emergência de uma racionalidade republicana
    • Documento teológico-político
      • A tragédia como texto de revolução
    • Creonte como forma
      • Lei, sobriedade e ordem orgânica
    • Antígona como informe
      • Aórgico, excesso e fogo apolíneo
    • Antitheos
      • Piedade adversativa
      • Oposição divina como forma suprema de fé
  • Antígona como figura máxima do trágico
    • Lei contra lei
      • Estatuto presente contra justiça futura
    • Santidade da transgressão
      • Crime sagrado e justiça absoluta
    • Suicídio por excesso do divino
      • Morte por superabundância de transcendência
    • Antígona como opus metaphysicum
      • A obra suprema da arte trágica
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