schumacher:start

Schumacher

E.F. Schumacher (1911-1977)

Na década de 1970, Ernst Friedrich Schumacher começou a defender outra perspectiva, falando sobre economia “como se as pessoas fossem importantes”. O renomado economista britânico, que não tinha nada de esquerdista, afirma que a produção não é uma solução, mas sim o problema. Esse problema é um dado imediato da economia economista: “O julgamento da economia é extremamente fragmentário; de todos os muitos aspectos que devem ser considerados e avaliados em conjunto antes de se poder tomar uma decisão, a economia conhece apenas um: isso trará ou não lucro financeiro para aqueles que empreendem essa ação?” A questão não é a economia monetária em si, mas a economia quantitativa do crescimento, pois as finanças são, antes de tudo, a unidade de medida do crescimento quantitativo, e o dinheiro é, antes de tudo, a mercadoria abstrata fetichizada. O erro fundamental é de natureza metafísica, nada menos, escreve Schumacher. Corrigi-lo requer uma consciência metafísica: sair das concepções da era industrial, dos dogmatismos do crescimento e do consumo. O economista pode ajudar nessa tomada de consciência, demonstrando que, de acordo com uma contabilidade real, livre da abordagem economista, o sistema industrial é ineficaz e nada rentável. O crescimento é essencial nos sistemas vivos, é a própria vida, mas essa mesma noção de crescimento aplicada à indústria constitui um contrassenso, um erro de categoria. É preciso mudar as prioridades, operar “uma mudança de ênfase, consciente e determinada, das mercadorias para as pessoas”. Essa “economia humanista”, que se revelará budista em Schumacher, oferece um modelo de resistência aos dogmas obsoletos da mercadoria. [Michel Puech]


schumacher/start.txt · Last modified: by 127.0.0.1

Except where otherwise noted, content on this wiki is licensed under the following license: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki