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Schopenhauer (MVR1) – estética

Quando se levam em conta os diferentes lados desse pensamento único a ser comunicado, ele se mostra como aquilo que se nomeou seja Metafísica, seja Ética, seja Estética. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Prefácio à primeira edição

De fato, embora se possa dizer que a lógica está para o pensamento racional como o baixo fundamental para a música, e, também, em termos menos precisos, que a ética está para a virtude como a estética para a arte, tem-se de notar, em contrapartida, que nunca um artista veio a sê-lo pelo estudo da estética, muito menos um caráter nobre pelo estudo da ética; que, muito antes de Rameau, já se compunha música correta e belamente; e, ainda, que não é preciso conscientizar-se do baixo fundamental para notar as desarmonias; da mesma forma, não se precisa saber lógica para evitar ser enganado por falsas conclusões. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro I §9]

Também a estética, e mesmo a ética, pode ter utilidade na prática, embora em grau muito menor e em geral apenas negativamente; portanto, também não se lhes deve negar todo valor prático. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro I §9]

Se, portanto, não há homens absolutamente incapazes de satisfação estética, temos de admitir que em todos existe aquela faculdade de conceber nas coisas as suas Ideias, e, em tal conhecimento, de despir-se por um momento da sua personalidade. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §37]

Por consequência, também a satisfação estética é essencialmente uma única e a mesma, seja provocada por uma obra de arte, seja imediatamente pela intuição da natureza e da vida. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §37]

Por meio de todas essas considerações espero ter tornado claro de que espécie e envergadura é a participação que possui a condição subjetiva da satisfação estética, ou seja, a libertação do conhecer a serviço da vontade, o esquecimento de si-mesmo como indivíduo e a elevação da consciência ao puro sujeito do conhecer, atemporal e destituído de vontade, independente de todas as relações. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §38]

Ora, junto com esse lado subjetivo da contemplação estética sempre entra em cena simultaneamente, como correlato necessário, o seu lado objetivo, a apreensão intuitiva da Ideia platônica. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §38]

Antes, porém, de passarmos à consideração mais detalhada desse lado objetivo e das realizações da arte a ele relacionadas, é aconselhável nos determos naquele lado subjetivo da satisfação estética e coroarmos a sua consideração com a explicitação da impressão do sublime, já que este depende por inteiro da condição subjetiva da impressão estética, e nasce por meio de uma modificação dela. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §38]

Nesse sentido, pode-se inferir que o conhecer puro, livre e isento de todo querer é o mais altamente aprazível e, nele mesmo, possui uma substancial participação na fruição estética. – [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §38]

Tal é a base de nossa alegria estética, que, no principal, enraíza-se integralmente no fundamento subjetivo da satisfação estética, e é alegria do puro conhecer e seus caminhos. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §38]

A todas essas considerações que intentam salientar a parte subjetiva da satisfação estética, vale dizer, que essa satisfação é a alegria do simples conhecimento intuitivo enquanto tal, em oposição à Vontade, liga-se imediatamente à seguinte explanação daquela disposição que se denominou sentimento do sublime. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §39]

Sim, é notável como o reino vegetal em particular convida à consideração estética, como que a exige. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §39]

Enquanto esse vir-ao-encontro da natureza e a significação e distinção de suas formas mediante as quais nos falam as Ideias nelas individualizadas for o que nos tira do conhecimento das meras relações que servem à vontade, pondo-nos no estado de contemplação estética, para assim nos elevar a puro sujeito do conhecer destituído de Vontade, é simplesmente o belo que age sobre nós, e o sentimento aí despertado é o da beleza. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §39]

Penso ser mais apropriado para a minha exposição primeiro trazer diante dos olhos essas gradações e, em geral, os graus mais fracos de impressão do sublime, embora aqueles de receptividade estética não tão grande e fantasia não tão vivaz só possam compreender os exemplos que logo depois serão fornecidos dos graus mais elevados e distintos do sublime – únicos nos quais podem se deter, podendo portanto deixar de lado os primeiros exemplos dos graus mais débeis da mencionada impressão. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §39]

Aí aparece intuitivamente diante dos olhos a nossa dependência, a nossa luta contra a natureza hostil, a nossa vontade obstada; porém, enquanto as aflições pessoais não se sobrepõem e permanecemos em contemplação estética, é o puro sujeito do conhecer quem mira através daquela luta da natureza, através daquela imagem da vontade obstada, para apreender de maneira calma, imperturbável, incólume (unconcerned), as Ideias exatamente naqueles objetos que são ameaçadores e terríveis para a vontade. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §39]

Um deles, bem inferior, encontra-se nas naturezas-mortas dos neerlandeses, quando estes se equivocam na exposição de iguarias comestíveis que, pór meio de sua apresentação ilusória, despertam necessariamente o apetite, um verdadeiro estímulo à vontade que põe fim a qualquer contemplação estética do objeto. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §40]

Na pintura de gênero e na escultura o excitante consiste nas suas figuras nuas, cujo posicionamento, semipanejamento e todo o modo de execução são calculados para despertar a lubricidade do espectador, pelo que a pura consideração estética é de imediato suprimida e a obra se posta contra a finalidade da arte. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §40]

Trata-se do repugnante, o qual, assim como o excitante em sentido estrito, desperta a vontade do espectador e, com isso, destrói a pura consideração estética. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §40]

Pois é apenas uma modificação especial deste lado o que diferencia o sublime do belo, a saber, se o estado do puro conhecer destituído de Vontade, pressuposto e exigido por toda contemplação estética, apareceu por si mesmo sem resistência, mediante o simples desaparecer da vontade da consciência, na medida em que o objeto convida e atrai para isso, ou se semelhante estado foi alcançado por elevação livre e consciente por sobre a vontade, em referência à qual o objeto empírico contemplado tem uma relação até mesmo desfavorável, hostil, e que suprimiria a contemplação, caso nos detivéssemos nele. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §41]

Pois em cada um deles o objeto da consideração estética não é a coisa isolada, mas a Ideia que nela se esforça por revelação, isto é, a objetidade adequada da Vontade num grau determinado. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §41]

Quando nomeamos um objeto belo, dizemos que ele é objeto de nossa consideração estética, e isso envolve dois fatores. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §41]

As belas jardinagem e arquitetura podem apenas ajudá-las a desdobrar suas qualidades distintamente, de maneira multifacetada e plena, oferecendo-lhes oportunidade de se exprimir puramente, com o que justamente clamam por consideração estética, facilitando-a. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §41]

Mesmo edifícios ruins ainda são passíveis de consideração estética: as Ideias das qualidades gerais da sua matéria permanecem reconhecíveis, apesar de a forma artificiosa ali empregada não ser nenhum meio de facilitação da Ideia, mas, antes, um obstáculo que dificulta a consideração estética. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §41]

Todavia, a fonte da fruição estética residirá ora mais na apreensão da Ideia conhecida, ora mais na bem-aventurança e tranquilidade espiritual do conhecer puro, livre de todo querer e individualidade e do tormento ligado a ela. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §42]

A predominância de um ou outro componente da fruição estética dependerá de a Ideia apreendida intuitivamente ser um grau elevado ou mais baixo de objetidade da Vontade. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §42]

Assim, tanto na consideração estética (na efetividade, ou pelo médium da arte) da bela natureza nos reinos inorgânico e vegetal, quanto nas obras da bela arquitetura, a fruição do puro conhecer destituído de vontade será preponderante, porque as Ideias aqui apreendidas são graus mais baixos de objetidade da Vontade, por conseguinte não são fenômenos de significado mais profundo e conteúdo mais sugestivo. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §42]

Se, ao contrário, o objeto da consideração ou da exposição estética forem animais e homens, a fruição residirá mais na apreensão objetiva dessas Ideias, as quais são a manifestação mais clara da Vontade, pois expõem a grande variedade de figuras, a riqueza e o significado profundo dos seus fenômenos, logo, manifestam da maneira mais perfeita a essência da Vontade em sua veemência, sobressalto, satisfação, ou em sua discórdia (exposições trágicas), finalmente até mesmo em sua viragem ou auto-supressão, que, em especial, é o tema da pintura cristã. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §42]

Cada qualidade desta é também sempre fenômeno de uma Ideia e, como tal, passível de uma consideração estética, isto é, conhecimento da Ideia que nela se expõe. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §43]

Em conformidade com o que foi dito é absolutamente indispensável à compreensão e fruição estética de uma obra da arquitetura ter um conhecimento intuitivo e imediato de sua matéria, relacionado ao peso, à rigidez e à coesão. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §43]

Porque as Ideias trazidas à nítida intuição pela arquitetura são os graus mais baixos de objetidade da Vontade e, por consequência, a significação objetiva daquilo que a arquitetura nos manifesta é relativamente pequena, a fruição estética da visão de um belo edifício favoravelmente iluminado não repousa tanto na apreensão da Ideia, mas antes no correlato subjetivo dela posto com essa apreensão. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §43]

Nesse sentido, o oposto da arquitetura e o outro extremo na série das belas artes é o drama, o qual leva a conhecimento as Ideias mais significativas; consequentemente, na fruição estética do drama, o lado objetivo é por inteiro predominante. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §43]

Portanto, na medida em que o reino vegetal (que sem intermediação da arte se oferece em todo lugar à fruição estética) é objeto da arte, pertence ele antes de tudo à pintura de paisagem. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §44]

Em naturezas-mortas, em arquitetura pintada, ruínas, interiores de igreja e semelhantes, o lado subjetivo da fruição estética é predominante, ou seja, nossa alegria diante desses objetos não reside tanto na apreensão imediata da Ideia exposta, e sim mais no correlato subjetivo dessa apreensão, no conhecer puro destituído de Vontade. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §44]

O efeito da pintura de paisagem propriamente dita é, de fato e no todo, também desse tipo: só que, como as Ideias expostas são graus mais elevados de objetidade da Vontade e, portanto, mais expressivas e significativas, já entra em cena aqui o lado mais objetivo da satisfação estética, conservando-se o equilíbrio com o lado subjetivo. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §44]

Nessas exposições, o lado objetivo da satisfação estética obtém uma preponderância decisiva sobre o lado subjetivo. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §44]

A paz do sujeito que conhece essas Ideias e que silenciou a própria vontade está aqui de fato presente, como em toda consideração estética; apesar de o seu efeito não ser sentido, pois nos ocupa a agitação e a veemência da Vontade exposta. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §44]

Ora, se nenhum objeto atrai tão rapidamente para a intuirão estética quanto a figura e o belo semblante humanos, cuja visão nos arrebata instantaneamente com uma satisfação inexprimível, elevando-nos por sobre nós mesmos e tudo o que nos atormenta; isso só é possível exatamente porque essa cognoscibilidade mais clara e pura da Vontade nos coloca de maneira mais fácil e rápida no estado do puro conhecer, no qual a nossa personalidade e o nosso querer com seu continuado tormento desaparecem, pelo tempo em que a pura alegria estética se mantiver. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §45]

A escultura grega apela à intuição, pelo que é estética. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §50]

Todavia, em virtude da verdade amplamente confirmada da expressão de Leibniz, a música, aparte sua significação estética ou interior, e considerada só de maneira empírica e exterior, é tão-somente o meio de apreender, imediatamente e in concreto, grandes números e relações numéricas complexas, que do contrário só poderíamos apreender mediatamente, por conceitos. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §52]

Teria ainda muito a adicionar sobre a forma como a música é percebida, a saber, única e exclusivamente por meio do tempo, com total exclusão do espaço, também sem influência do conhecimento da causalidade, portanto do entendimento: pois os tons já provocam como efeito a sua impressão estética, sem que retornemos à sua causa, como seria o caso na intuição. – [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro III §52]

É sempre uma exceção se um semelhante decurso de vida sofre uma interferência e, devido a um conhecer independente do serviço da vontade e direcionado à essência do mundo em geral, conduz à demanda pela contemplação estética ou à demanda pela renúncia ética. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro IV §60]

Deve-se recordar do terceiro livro que a alegria estética no belo consiste em grande parte no fato de que nós, ao entrarmos no estado de pura contemplação, somos por instantes libertos de todo querer, isto é, de todos os desejos e preocupações: por assim dizer nos livramos de nós mesmos. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Livro IV §68]

Em vão Jean Paul escreveu seus belos parágrafos “alta dignificação da loucura filosófica na cátedra e da poética no teatro” (escola estética superior); Goethe também já havia escrito em vão: So schwätzt und lehrt man ungestört, / Wer mag sich mit den Narr’n befassen? / Gewöhnlich glaubt der Mensch, wenn er nur Worte hört, / Es musse sich dabei doch auch was denken lassen . [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

A estética transcendental é uma obra tão extraordinariamente meritória, que, sozinha, teria bastado para eternizar o nome de Kant. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Por conseguinte, da doutrina da estética transcendental não saberia descartar coisa alguma, apenas acrescentar. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Após a detalhada discussão, na estética transcendental, sobre as formas universais de toda intuição, seria de esperar recebermos algum esclarecimento sobre o conteúdo delas, a maneira como a intuição empírica chega à nossa consciência, e como nasce o nosso conhecimento de todo este mundo, tão real e importante para nós. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Nesse sentido, que distância entre a estética transcendental e a analítica transcendental! Lá, que clareza, determinidade, segurança, firme convicção enunciada abertamente e comunicada de maneira infalível! Tudo é cheio de luz, nenhum canto escuro é deixado: Kant ali sabe o que quer e sabe que tem razão. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Na estética transcendental todas as proposições são efetivamente demonstradas a partir de fatos inegáveis da consciência; na analítica transcendental, ao contrário, quando a consideramos mais de perto, encontramos meras afirmações de algo que é assim e assim tem de ser. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Nesse sentido, assim como a estética transcendental demonstra um fundamento a priori para a matemática, teria também de havê-lo para a lógica, com o que aquela primeira adquirira simetricamente um pendant numa lógica transcendental. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

A partir daí Kant não estava mais livre, não estava mais no estado de investigação e observação puras daquilo que se encontra presente na consciência, mas era conduzido por uma pressuposição, perseguia um objetivo, o de encontrar o que havia pressuposto, e assim erigir sobre a estética transcendental, tão afortunadamente descoberta, uma lógica transcendental análoga a ela, portanto correspondendo-lhe simetricamente, ao modo de um segundo andar. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Se fosse diferente, não haveria aquela grande lacuna entre a estética transcendental e a lógica transcendental, em que ele, após a exposição da mera forma da intuição, dispõe seu conteúdo, toda a percepção empírica, com a frase “ela é dada”, sem perguntar-se como a mesma é instituída, se com ou sem entendimento; porém, com um salto, passa para o pensamento abstrato, e nem sequer para o pensar em geral, e sim de imediato para certas formas do pensamento. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Quase todos os partidos filosóficos e manuais doutrinários a admitiram e repetiram, até mesmo com reelaboração, enquanto quase todos os outros ensinamentos de Kant foram objeto de controvérsia, sim, nunca faltaram algumas cabeças tortas para rejeitar até mesmo a estética transcendental. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Sobre a refutação detalhada da teologia especulativa, que então se segue, devo resumidamente observar que tanto ela quanto em geral toda a crítica das três chamadas ideias da razão, portanto toda a dialética da razão pura, em verdade é, em certa medida, o fim e alvo da obra inteira; todavia, tal parte polêmica não possui propriamente, como a parte precedente, isto é, a estética e a analítica transcendentais, um interesse filosófico inteiramente universal, permanente, puro, mas antes um interesse local e temporal, na medida em que se encontra em relação específica com os momentos principais da filosofia dominante na Europa até Kant, cuja completa demolição por meio dessa polêmica deu a Kant mérito imortal. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

No que tange à execução da tarefa, não havia necessidade alguma, em vista da refutação da prova ontológica da existência de Deus, de uma crítica à razão, pois também sem a pressuposição da estética e da analítica transcendentais é bastante fácil tornar claro que aquela prova ontológica nada é senão um jogo sutil e astuto com conceitos, sem nenhuma força de convencimento. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Por fim temos de reconhecer – o que também deu origem à doutrina cristã da eleição pela graça – que no principal e em seu interior a virtude é em certa medida inata como o gênio e, assim, os professores de estética, com todas as suas forças reunidas, são tão incapazes de atribuir a alguém a capacidade de produções geniais, isto é, de autênticas obras de arte, quanto o são todos os professores de ética e pregadores da virtude de transformar um caráter não nobre num caráter virtuoso e nobre. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

O que agradava como belo, o que não, o que devia ser imitado, almejado, o que devia ser evitado, quais regras, ao menos negativamente, deviam ser fixadas, em síntese, qual o meio para suscitar a satisfação estética, ou seja, quais eram as condições presentes no objeto propícias a isso – eis aí, quase exclusivamente, o tema de todas as considerações sobre a arte. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

E especial com essa intenção, Alexandre Baumgarten elaborou uma estética geral de todo belo, em que partiu do conceito de perfeição do conhecimento sensível, portanto intuitivo. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Em referência à crítica da faculdade de juízo estética, antes de tudo se nos impõe a observação de que Kant mantém o método que é peculiar a toda a sua filosofia (por mim considerado em detalhe mais acima), quero dizer, o partir do conhecimento abstrato para fundamentação do intuitivo, de tal modo que o primeiro serve, por assim dizer, de camera obscura, na qual o segundo é fixado e examinado. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Ora, assim como na crítica da razão pura as formas do juízo deviam dar informação sobre o conhecimento de todo o nosso mundo intuitivo, também na crítica da faculdade de juízo estética Kant não parte do belo mesmo, intuitivo, imediato, mas do juízo sobre o belo, do chamado, e muito feiamente, juízo de gosto. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

Com estas três faculdades de conhecimento, razão, faculdade de juízo e entendimento são subsequentemente feitas diversas brincadeiras simétrico-arquitetônicas, mania que se mostra de diversas formas no livro já no talhe da crítica da razão pura violentamente adaptado a todo ele, em especial na antinomia, puxada pelos cabelos, da faculdade de juízo estética. [tr. Jair Barboza; SMVR1: Apêndice §71]

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