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meillassoux:2011:1

1 Finitude

HARMAN, Graham (ORG.). Quentin Meillassoux: philosophy in the making. Edinburgh, [United Kingdom]: Edinburgh University Press, 2011.

1. Depois da finitude, de 2006, obra lúcida e econômica que deu a Meillassoux fama imediata no mundo anglófono, é aqui resumida com as inevitáveis inflexões das preocupações filosóficas próprias de quem, tendo trabalhado com ele no Realismo Especulativo, diverge notoriamente de suas posições, mas admira apaixonadamente sua imaginação filosófica e sua audácia argumentativa, de modo que, sem pretensão a um panorama neutro e abrindo espaço para relatos concorrentes, as próprias posições ficam em segundo plano até o capítulo 4 e destacam-se seis ideias que funcionam como pilares do livro e de toda a sua filosofia.

2. Esses pilares são que o inimigo é o correlacionismo, a ser superado por dentro e não descartado à maneira do realismo ingênuo, que há um correlacionismo forte que não cai nos excessos do idealismo absoluto e pode ser radicalizado num materialismo especulativo, que essa radicalização revela que só uma coisa é necessária, a própria contingência, que a existência de um mundo anterior ou posterior a toda consciência humana, tema da diacronicidade, versão ampliada da ancestralidade, desafia mais que a de coisas espacialmente remotas, que a contingência das leis naturais não exige sua instabilidade, ponto em que entra a matemática transfinita de Cantor, e que a distinção entre qualidades primárias e secundárias deve ser revivida, sendo primárias as qualidades matematizáveis.

3. Meillassoux apresentaria esses temas em outra ordem e talvez não escolhesse exatamente esses pilares, julgando trivial o da diacronicidade, ausente da edição francesa, mas juntos eles fundam uma das filosofias mais impressionantes do jovem século XXI e o deixam numa posição isolada, já que até os demais realistas especulativos só concordam com a primeira metade do primeiro ponto, e sua fidelidade às ideias até as últimas consequências o leva à surpreendente doutrina de um mundo hipercaótico sem necessidade alguma, em que as leis da natureza podem mudar a qualquer momento sem razão e em que ética e política dependem de um Deus virtual que nunca existiu mas pode vir a existir, visão deslumbrante que lhe trouxe inúmeros admiradores mas quase nenhum discípulo literal, fazendo dele, apesar da clareza amigável, um pensador de rara solidão.

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