Homem e Mulher, segundo Hegel (Irigaray)
IRIGARAY2016
Volto então a Hegel para explicar as razões dessa exploração e sugerir como a situação poderia ser remediada.
Em vários pontos de sua obra e em diferentes momentos de sua vida, Hegel reflete sobre a questão do amor entre os sexos, que ele analisa, notavelmente, como trabalho. Como Hegel define o amor entre homens e mulheres? Ele o define da forma como ainda é frequentemente praticado em nossa época, mas também como é definido pelas religiões monoteístas patriarcais ou, aparentemente no extremo oposto, por teorias da sexualidade, como a freudiana. Ele o define, em resumo, como ainda nos acostumamos e somos obrigados a vivê-lo, tanto no âmbito privado quanto público. Ele o define tal como existe dentro das culturas patriarcais, sem conseguir resolver o problema da falta de espírito e ética que observa. Também o define em termos de seu método. O que significa que, para superar o que ele chama de imediatez natural dentro da família, Hegel recorre a pares de opostos. Assim, ele é forçado a definir homem e mulher como opostos, e não como diferentes. Mas não é exatamente assim que os gêneros masculino e feminino ainda são geralmente interpretados?
Homem e mulher estão, portanto, em oposição um ao outro no trabalho do amor, segundo Hegel. Esse trabalho é analisado dentro da família que eles formam como um casal (de opostos). Fora do contexto familiar, Hegel demonstra pouco interesse em conceder a cada gênero sua própria identidade, especialmente jurídica, embora afirme que o status da pessoa humana depende de seu reconhecimento pela lei civil. De sua perspectiva, portanto, a lei sexuada deveria pertencer apenas à família. Não haveria identidade sexuada para o cidadão.
