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Vieillard-Baron

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Leçons sur Platon: 1825-1826. Tradução: Jean-Louis Vieillard-Baron. Paris: Aubier, 1976.

Introdução de Vieillard-Baron

1. Hegel e a história da filosofia

1. As anotações de von Griesheim sobre as lições dedicadas a Platão no curso de 1825-1826, quando o ensino hegeliano da história da filosofia alcançou seu maior desenvolvimento, constituem um testemunho autêntico e filosoficamente decisivo, cuja fidelidade documental contrasta com a compilação de fontes heterogêneas realizada por Michelet, particularmente problemática nas páginas sobre Platão.

2. A continuidade dos nove cursos de história da filosofia ministrados por Hegel, sustentados por um mesmo plano e concentrados sobretudo na filosofia antiga, corresponde à convicção de que o estudo dos pensadores anteriores constitui o próprio exercício filosófico e oferece aos estudantes a introdução mais adequada à filosofia, cuja estrutura circular impede estabelecer um começo absolutamente primeiro e exclui uma preparação inteiramente exterior ao filosofar.

Um grande passo adiante

1. A integração da história da filosofia ao próprio pensamento filosófico estabelece a tradição como fundamento necessário da elaboração das ideias e supera a concepção de Brucker, cuja inovação crítica permanece limitada pela redução das filosofias a conjuntos de teses organizadas segundo um modelo escolar de sistema e avaliadas pela conformidade com a filosofia wolffiana, convertendo o passado em um repertório de erros.

2. A compreensão hegeliana da história da filosofia como devir do Espírito rompe com a classificação das doutrinas em sistemas e seitas, ainda presente em Fichte, pois reconhece no pensamento contemporâneo o resultado dos esforços anteriores e exige uma rememoração interiorizante (Er-innerung) pela qual a filosofia compreenda sua própria formação, em vez de ignorar a dependência histórica que subsiste mesmo quando seu passado é rejeitado.

Teoria e prática da história da filosofia a partir de 1790

1. A história hegeliana da filosofia nasce da convergência entre uma filosofia profundamente enraizada na tradição ocidental e a intensificação do interesse histórico pela filosofia na última década do século XVIII, cuja compreensão exige distinguir os princípios teóricos dessa disciplina de sua realização efetiva na investigação das doutrinas.

2. As grandes histórias da filosofia de Tiedemann, Buhle e Tennemann apresentam graus distintos de elaboração crítica e rigor documental, destacando-se Tennemann pela consulta constante aos textos e pela aplicação coerente de seus princípios, embora sua dependência dos conceitos kantianos reelaborados por Reinhold imponha ao passado uma interpretação rígida e por vezes inexata.

3. A valorização da historicidade humana por Herder e a compreensão do desenvolvimento histórico da arte por Winckelmann favoreceram uma renovação teórica mais avançada que a prática historiográfica, tornando possíveis histórias da religião e da filosofia capazes de reconhecer o valor de suas manifestações particulares e de enfrentar a relação entre a diversidade histórica e a unidade de seu desenvolvimento.

4. O problema fundamental da teoria da história da filosofia consiste em determinar se as doutrinas anteriores formam um agregado de elementos heterogêneos ou possuem uma unidade que decorre da repetição dos mesmos temas ou de sua elaboração progressiva.

5. O reconhecimento da historicidade dos conceitos por Gurlitt e Bardili permite acompanhar sua formação desde a Antiguidade e relacionar a filosofia à linguagem cotidiana, à poesia e à religião, mas ainda deixa esse progresso disperso entre conceitos heterogêneos, sem esclarecer a unidade do Espírito que nele se manifesta.

6. A exigência de um conceito abrangente de filosofia (Inbegriff), capaz de conferir unidade e cientificidade à história das doutrinas, conduz Reinhold e Fülleborn a superar sua apresentação como um conjunto de seitas, mas a dependência do quadro kantiano das faculdades mantém essa unidade exterior ao desenvolvimento efetivo das filosofias, enquanto a investigação de Fülleborn sobre a linguagem filosófica acompanha a formação dos conceitos alemães até seu florescimento em Kant.

7. A concepção de Fülleborn do espírito filosófico como princípio interior, orgânico e vivificador permanece subordinada a uma estrutura universal das faculdades humanas, fazendo da história uma repetição de configurações avaliadas pelas mesmas perguntas e deixando sem articulação o desenvolvimento da linguagem e o do pensamento, cuja historicidade efetiva encontra fundamentos mais fecundos em Herder e Winckelmann.

8. A compreensão romântica da história da filosofia aprofunda sua unidade histórica, pois Hülsen concebe o progresso da razão como interiorização do passado e harmonização de diferenças preservadas, enquanto Ast reúne a história dos conceitos e a história do Espírito ao reconhecer nos diversos sistemas manifestações organicamente vinculadas de uma única potência espiritual, cuja unidade lhes pertence desde a origem.

A história filosófica da filosofia segundo Hegel

1. A história da filosofia constitui o desenvolvimento pelo qual o Espírito alcança o conhecimento de si no saber absoluto, pois a interiorização das experiências da consciência conserva seu percurso histórico e transforma a unidade orgânica das doutrinas em uma unidade dialética, na qual a verdade compreende o processo de sua própria formação.

2. A filosofia, enquanto saber absoluto e Ideia que pensa a si mesma, reúne o resultado do desenvolvimento lógico, a mediação espiritual apoiada na natureza e a atividade eterna pela qual o Absoluto se revela a si próprio, interiorizando todo o movimento de sua manifestação e conduzindo-o à verdade absoluta.

3. A história da filosofia manifesta temporalmente o desenvolvimento dialético que a Lógica apresenta em sua estrutura intemporal, pois, embora a história do Espírito compreenda também a cultura, a arte e a religião e comporte circunstâncias contingentes, a sucessão dos princípios filosóficos revela, quando depurada de suas formas exteriores, os graus de determinação da própria Ideia.

4. A historicidade da verdade decorre do caráter dialético do Absoluto, que somente se oferece ao pensamento por uma manifestação progressiva, tornando a história da filosofia uma apreensão relativa desse movimento e permitindo compreender por que a elaboração lógica alcançada na Antiguidade precisa ser retomada pela filosofia moderna mediante o reconhecimento da liberdade pessoal para atingir o Espírito absoluto.

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