Ciência da lógica
HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Wissenschaft der Logik. 3 volumes (Erster Teil: Die objective Logik [1812, 1813]; Zweiter Teil: Die subjective Logik [1816]). Nuremberg: Johann Leonhard Schrag, 1812–1816. / The science of logic. Tradução: George Di Giovanni. Cambridge ; New York: Cambridge University Press, 2010.
- Introdução
- Nota do tradutor
- A ciência da lógica
- Volume I. A lógica objetiva
- Prefácio à primeira edição
- Prefácio à segunda edição
- Introdução
- Livro I. A doutrina do ser
- Livro II. A doutrina da essência
- Volume II. A ciência da lógica subjetiva ou a doutrina do conceito
- Apêndice: A Lógica de Hegel em suas partes revisadas e não revisadas
- Bibliografia
- Índice remissivo
Hegel, Science de la Logique (Meiner-Verlag, p. 51-52; cf. Aubier, I, p. 55-56).
Foi somente em nossos dias que ficou claro o quão difícil é atribuir um começo à filosofia, e a causa dessa dificuldade, bem como a possibilidade de resolvê-la, têm sido objeto de muita discussão. O início da filosofia deve ser comunicado por mediação (Vermitteltes) ou imediatamente (Unmittelbares); mas é fácil mostrar que não é nem uma coisa nem outra e, assim, refutar ambas as maneiras de começar.
É verdade que o princípio de uma filosofia também implica um começo, mas um começo menos subjetivo que objetivo, o começo de todas as coisas. O princípio é às vezes um conteúdo mais ou menos determinado — água, o um, o substantivo, a ideia, substância, mônada, etc.; às vezes, quando se relaciona com a natureza do conhecimento e deve, portanto, ser mais um critério do que uma determinação objetiva, é o pensamento, a intuição, a sensação, o eu, a própria subjetividade, mas aqui novamente, como antes, é a determinação do conteúdo que mantém o interesse. Pelo contrário, o começo como tal continua sendo algo subjetivo, sendo uma maneira puramente acidental de abrir uma exposição, sem consequências, de modo que a exigência da questão com a qual se deve começar não tem importância comparada à do princípio: é neste último, ao que parece, que repousa todo o interesse da coisa, o interesse que se tem no que é a verdade, a base absoluta de tudo (der absolute Grund von allem).
Mas a perplexidade que sentimos hoje em relação ao começo decorre de outra necessidade: uma necessidade ignorada, na verdade, por aqueles para quem nunca se trata, dogmaticamente, de provar um princípio, ou ceticamente, de encontrar um critério subjetivo contra o dogmatismo filosófico; uma necessidade repudiada por aqueles que partem de pronto de sua revelação íntima, de sua fé, de sua intuição intelectual e pretendem estar acima do método e da Lógica. Mas se o pensamento abstrato do passado se interessa primeiro pelo princípio por seu conteúdo e, então, com o progresso da cultura, é levado a levar em consideração o outro aspecto, o comportamento do conhecimento, então a ação subjetiva passa, por sua vez, a ser apreendida como um momento essencial da verdade objetiva, e então se sente a necessidade de unir o método com o conteúdo, a forma com o princípio. Assim, o princípio também deve ser o começo, e aquilo que é anterior ao pensamento também deve ser o primeiro no desenvolvimento do pensamento.
