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Flusser – Guimarães Rosa

Na introdução a este livro sugerimos a identidade entre tempo e diabo. É ele o próprio princípio da modificação, do progresso, da fenomenalização portanto. É o princípio da transformação de realidade em irrealidade. É o que Guimarães Rosa tem em mente ao dizer que o diabo não existe. A correnteza do tempo dentro da qual o Senhor mergulha pedaços do ser ao criar “céus e terra” é o próprio diabo. O tempo é incrível, não se pode crer nele. Kafka diz que não se pode ter fé no diabo, porque mais diabo que diabo não pode haver, e é justamente este processo de criação que Kafka tem em mente. A primeira frase da Bíblia, para ser concebível, deverá rezar como segue: O Senhor criou espaço e tempo. Ou, para falarmos kantianamente: O Senhor criou as formas de ver (“anschauungsformen”). Ou, para falarmos dentro do espírito deste livro: O Senhor criou o mundo fenomenal e o diabo. Isto me parece tornar concebível não somente a criação, como também a queda do diabo. Essa queda é a própria correnteza do tempo, e o progressivo afastar-se do mundo das suas origens.

*PS: [FLUSSER, Vilém. História do Diabo. Rev. Gustavo Bernardo. São Paulo: Annablume, 2006, p. 33]*

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