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BRUXARIA

ELIADE, Mircea. Occultism, witchcraft and cultural fashions: essays in comparative religions. Chicago (Ill.) London: the University of Chicago press, 1995.

  • A feitiçaria na cultura ocidental contemporânea integra um movimento mais amplo de interesse pelo ocultismo e pelo esoterismo, abrangendo desde a astrologia até técnicas orientais como o Yoga e o Tantra.
    • A historiografia atual, representada por Etienne Delcambre, H. R. Trevor-Roper, J. B. Russell e Keith Thomas, destaca a relevância das controvérsias sobre o crescimento da feitiçaria nos séculos dezesseis e dezessete.
    • A investigação delimita-se a dois problemas centrais: a origem da feitiçaria em relação a crenças pré-cristãs e a natureza das orgias atribuídas às bruxas após a assimilação do fenômeno à heresia.
  • A perspectiva liberal e racionalista do final do século dezenove estabeleceu que a perseguição às bruxas foi um subproduto da teologia medieval e da organização eclesiástica, sem base em uma realidade factual externa aos tribunais.
    • Joseph Hansen e Henry Charles Lea sustentaram que a Inquisição inventou a feitiçaria ao processar práticas mágicas sob a moldura da demonologia escolástica.
    • A tese de Lea postula que a feitiçaria propriamente dita surgiu apenas em meados do século quatorze, como uma construção institucional.
  • O embate interpretativo entre o racionalismo anticlerical e o conservadorismo teológico dividiu-se entre a negação da existência histórica das bruxas e a aceitação plena das acusações inquisitoriais.
    • Montague Summers defendeu a validade das acusações de infanticídio, canibalismo e adoração satânica baseando-se na crença na intervenção real do Diabo.
    • O posicionamento ultraconservador encontrou eco tanto em apologistas católicos quanto em ocultistas e entusiastas de práticas luciferianas.
  • A complexidade da feitiçaria exige uma abordagem interdisciplinar que inclua a história das religiões para situar o fenômeno além da dicotomia entre perseguição política e seita demoníaca.
    • A fenomenologia comparada revela que atributos das bruxas europeias, como o voo e a invisibilidade, são partilhados por yogis e magos indo-tibetanos.
    • Sectários indianos reivindicam a quebra de tabus sociais e a prática de orgias e antropofagia como demonstrações de poder, assemelhando-se às confissões registradas nos julgamentos europeus.
  • A teoria de Margaret Murray sobre um culto pagão organizado e sobrevivente ao cristianismo exerceu influência duradoura, apesar de severas deficiências metodológicas e erros factuais.
    • Elliot Rose submeteu a tese de Murray a uma crítica rigorosa em sua obra A Razor for a Goat, questionando a suposta organização monoteísta baseada no coven de treze membros.
    • A hipótese de Dianismo sugeria que a feitiçaria era a verdadeira religião popular da Inglaterra, centrada em um deus chifrudo identificado com Janus ou Cernunnos.
    • Segundo Murray, a elite eclesiástica e política teria encorajado secretamente o culto por considerá-lo essencial ao bem-estar da comunidade até a Reforma.
  • Embora a persistência de práticas pagãs seja reconhecida pela historiografia, a transformação de um culto de fertilidade em uma sociedade dedicada a fins puramente destrutivos permanece uma lacuna na tese de Murray.
    • J. B. Russell e outros estudiosos, como Jakob Grimm e Otto Höfler, confirmam a sobrevivência de crenças pré-cristãs no centro e oeste da Europa.
    • A equivalência progressiva entre superstição, feitiçaria e heresia a partir do século oito alterou a percepção pública das práticas populares.
    • Os relatos de sacrifício de crianças e antropofagia nas reuniões secretas distinguem as supostas orgias das bruxas dos rituais tradicionais de fertilidade.
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