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Os paraísos artificiais (2.19)

La Grande beuverie

Parte II Les paradis artificiels

Não quis ver os Ruminssiés senão de longe e acreditei na palavra do meu guia, que me explicou brevemente:

— Passam o tempo a narrar por escrito vidas imaginárias. Uns contam o que viveram, atribuindo a personagens de sua fantasia, para se eximirem da responsabilidade e se permitirem todas as impudências. Outros fazem suas criaturas viverem tudo o que teriam gostado de viver, para se darem a ilusão de tê-lo vivido.

“Há ainda entre eles, é verdade, duas seitas heréticas, os Mnemógrafos e os Biógrafos. Os primeiros se comprazem em narrar, sempre por escrito, os acontecimentos mais lisonjeiros (ou mais vergonhosos, pela vaidade de serem sinceros) de sua existência; os segundos fazem o mesmo com as existências alheias.

“Visitar todos seria enfadonho. Gostaria apenas de apresentar um de nossos doentes, cujo caso, bastante ambíguo, mistura Pwattismo e Mnemografismo. Certamente o interessará.”

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