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Charles Williams, esoterismo na obra literária

(CW2018)

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Cada um dos romances de Williams explora uma diferente <em>terra incognita</em> de simbolismo e práticas ocultistas. <em>Shadows of Ecstasy</em> (1925-1932, publicado em 1933) apresenta um poderoso ocultista que dominou a transmutação alquímica do eu; <em>Many Dimensions</em> (1931) revisita a alquimia, combinando a lendária Pedra Filosofal com a pedra cabalística de Schethiya na representação da “pedra de Suleiman”, um objeto mágico que oferece poder, riqueza e sucesso, ou, alternativamente, compreensão mística do divino àqueles que a utilizam. <em>War in Heaven</em> (1930) contém diversos rituais de magia branca e negra e reflete a fascinação ocultista com o misticismo arturiano, enquanto <em>The Greater Trumps</em> (1932) faz o mesmo com os trunfos do tarô, atribuídos a novos significados e profundidades simbólicas pelos ocultistas modernos, em particular A.E. Waite, cujo baralho, criado com Pamela Colman Smith e lançado em 1910, teve grande influência nos círculos ocultistas.

<em>The Place of the Lion</em> (1931) depende menos do simbolismo ocultista, mas, ainda assim, é o líder de uma sociedade ocultista quem facilita a manifestação de princípios superiores como força, intelecto e beleza no mundo material, na forma de animais. O herói do romance, Anthony Durrant, reenvia essas formas para o sobrenatural, fortalecido por uma habilidade adquirida por meio de experiência direta com o divino. <em>Descent into Hell</em> (1937) e <em>All Hallows’ Eve</em> (1943) retornam à atenção de Williams ao ocultismo, mas de maneira diferente dos romances anteriores. Aqui, Williams se foca menos na experiência mística e nas potencialidades desbloqueadas na mente e na alma, e mais em sua formulação única de “co-herdar” – a substituição do eu pelo outro para curar e proteger de danos espirituais, mentais e físicos.

Ainda assim, elementos da influência ocultista permanecem nesse contexto mais co-inerente, pois a prática possui diversas propriedades mágicas e continua sendo informada pela narrativa e pela práxis da transformação alquímica interior exploradas nos romances anteriores. Outros elementos ocultistas, menos relacionados à experiência pessoal, também aparecem nesses dois últimos romances, particularmente nas mãos do antagonista de <em>All Hallows’ Eve</em>, o mago Simon Leclerc, de duzentos anos, que busca poder político sobre os mundos dos vivos e dos mortos por meio de técnicas mágicas aprendidas com ocultistas do século XIX em Paris.

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