cassin:imaginacao
A imaginação transcendental: Kant, idealismo alemão e Heidegger
CASSIN, Barbara (ed.). Dictionary of Untranslatables. A Philosophical Lexicon. Princeton: Princeton University Press, 2014
- Situação do problema na recepção pós-kantiana
- A questão da imaginação transcendental foi examinada pelos sucessores imediatos de Kant.
- Segundo uma observação decisiva de Heidegger, nada de essencial teria sido realmente dito.
- A nota do Kantbuch indica um silêncio significativo mais do que um consenso.
- Esse silêncio diz respeito à essência da imaginação como Kant a compreendeu.
- A declaração metodológica de Heidegger no Kantbuch
- Todos atribuíram um papel essencial à imaginação.
- Heidegger suspende o juízo quanto à fidelidade dessas leituras.
- Sua própria interpretação segue um caminho oposto ao do idealismo alemão.
- O Kantbuch como intervenção polêmica
- A leitura heideggeriana de Kant insere-se num debate amplo sobre a herança kantiana.
- Ela se dirige implicitamente contra o neo-kantismo de Marburgo.
- Ela dialoga de modo crítico com toda a tradição interpretativa desde 1781.
- O idealismo alemão constitui o adversário privilegiado.
- Kant é descrito como uma fortaleza ainda não conquistada.
- Problema da deformação da Einbildungskraft
- Essa incompreensão teria levado a uma desfiguração do conceito.
- Torna-se necessário retomar a questão desde a direção oposta.
- Não se trata de um simples ajuste interpretativo.
- Trata-se de uma reorientação fundamental da problemática.
- Finitude como eixo da leitura heideggeriana
- A leitura de Heidegger enfatiza a finitude essencial do ser humano.
- O humano é pensado como rei da finitude.
- Essa perspectiva é aproximada da poesia de Hölderlin.
- O idealismo alemão, ao contrário, enfatiza a incondicionalidade do eu.
- A autoconsciência é pensada como absoluta.
- O conflito em torno do Bild
- A noção de Bild torna-se o ponto de tensão entre interpretações.
- Para o idealismo, o Bild tende a ser integrado à espontaneidade do entendimento.
- Em outros casos, busca-se manter o equilíbrio entre espontaneidade e receptividade.
- O problema articula lógica e estética.
- O estatuto da imagem decide o estatuto do conhecimento.
- A crítica heideggeriana da síntese tética
- A síntese é entendida como ato fundador do eu.
- Heidegger se afasta dessa interpretação.
- Ele sublinha o papel decisivo da sensibilidade.
- A sensibilidade é compreendida como receptividade, não como passividade.
- Redefinição fenomenológica da sensibilidade
- Todo conhecer envolve receptividade.
- A imaginação não cria simplesmente imagens.
- Ela articula a doação do que se mostra.
- O conhecer não é produção soberana do objeto.
- É acolhimento de uma presença.
- Reinterpretação heideggeriana do Bild
- Heidegger retorna ao sentido originário do termo Bild.
- Bild é aproximado de Anblick, vista ou aspecto.
- O exemplo é o olhar lançado sobre uma paisagem.
- O Bild designa aquilo que se oferece à visão.
- Ele não é produto da imaginação criadora.
- Inversão em relação ao idealismo
- O Bild não é fabricado pelo sujeito.
- Ele se apresenta por si mesmo.
- A presença não depende da atividade do eu.
- O Bild é anterior à imaginação produtiva.
- A imaginação não domina, mas recebe.
- A audácia da reversão heideggeriana
- Heidegger afirma que a paisagem parece olhar para nós.
- O Bild é pensado como algo que se dirige ao observador.
- A relação sujeito-objeto é invertida.
- O visível possui iniciativa fenomenal.
- O Bild é dessubjugado.
- Consequências filosóficas da dessubjugação do Bild
- A imagem não está subordinada à consciência soberana.
- O aparecer tem prioridade sobre o produzir.
- O fenômeno não é constituído unilateralmente.
- Ele emerge numa relação de exposição.
- A finitude é constitutiva dessa relação.
- A imaginação no conflito entre idealismo e fenomenologia
- A imaginação torna-se o campo de batalha conceitual.
- O idealismo tende à absolutização da espontaneidade.
- A fenomenologia reinscreve a receptividade.
- O esquematismo transcendental é reinterpretado.
- Husserl reaparece como interlocutor implícito.
- Conclusão provisória
- A leitura heideggeriana rompe com a tradição idealista.
- Ela reinscreve Kant num horizonte de finitude.
- A imaginação deixa de ser princípio absoluto.
- Ela torna-se mediação receptiva do aparecer.
- O Bild passa a ser pensado como presença que se oferece.
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