Novo Heidegger
BEISTEGUI, Miguel de. The New Heidegger. London: Bloomsbury Publishing, 2005
Introdução
1. em certo nível, o objetivo desta obra é bastante simples: transmitir a magnitude do terremoto filosófico que o pensamento de Heidegger representa e, como consequência imediata, comunicar a excitação sentida por tantos leitores ao descobrir um novo curso, um novo texto heideggeriano, ou ao reabrir Ser e Tempo pela milésima vez, esperando-se alcançar qualquer pessoa com conhecimento mínimo da história da filosofia — ou mesmo sem ele —, não se exigindo conhecimento prévio de Heidegger.
2. Heidegger é notoriamente um pensador difícil — como o são, aliás, todos os grandes pensadores —, não menos por seu uso experimental do idioma alemão, expressão direta da novidade de seu pensamento, dificuldade que se intensifica com frequência na tradução para outro idioma, como o inglês.
- todo grande pensador é um inventor de conceitos, não pelo prazer de inventar ou de obscurecer questões, mas porque, movido por uma necessidade inexorável de levar os problemas adiante, ou em direção diversa, pensa precisamente no limite do que até então fora pensado, e, portanto, no limite da própria linguagem conceitual.
- conceitos são o instrumento com que a filosofia pensa, do mesmo modo que matemáticos “pensam” com números e símbolos, artistas com cores, formas e materiais, e poetas com imagens e metáforas, encontrando-se os filósofos, por operarem no limite e por se sentirem compelidos a ampliar o horizonte do pensar, frequentemente em desacordo com a linguagem, sem que isso signifique ausência de elegância na escrita, havendo na história da filosofia tanto escritores elegantes (Platão, Descartes, Hume, Nietzsche, Bergson, Foucault) quanto desajeitados, sendo os primeiros enganosamente “fáceis”, pois também levam a linguagem ao limite, ainda que de modo diverso, à maneira dos grandes romancistas.
- a prosa heideggeriana evolui do muito conceitual — em que forja todo um conjunto de conceitos e cria neologismos — para o (aparentemente) mais “literário”, voltando-se, a partir dos anos 1930, a uma certa pureza de linguagem, recorrendo a aforismos, fragmentos, e cada vez mais à poesia como recurso para pensar além da metafísica clássica, sendo grave engano supor, por isso, o Heidegger “tardio” mais imediatamente acessível do que o “inicial”, experimentando quem o lê antes uma evolução crescentemente radical e exigente de seu pensamento.
- há um lado irredutivelmente experimental em toda grande filosofia, tal como há algo de experimental em Cézanne ou Picasso, Debussy ou Joyce, todos tentando inventar um novo idioma, sendo essa dimensão experimental precisamente o lugar onde ocorre o pensar no limite, onde se molda a singularidade de um dado pensamento, exigindo o maior esforço do leitor e oferecendo, em troca, a maior recompensa, sendo charlatão quem afirma possível o acesso imediato e sem esforço ao genuinamente novo, ou que a substância e o núcleo do pensamento de um filósofo possam ser extraídos e comunicados sem percorrer o caminho difícil de sua própria negociação com uma tradição e sua linguagem.
- procurou-se, não obstante, manter ao mínimo o vocabulário técnico, introduzindo-o apenas progressivamente, sem evitar os aspectos mais desafiadores do pensamento heideggeriano, mas apresentando-os de modo claro e acessível, constituindo esta obra uma introdução ao pensamento de Heidegger, e não uma tentativa de diluí-lo a ponto de trair sua complexidade e sutileza.
3. quanto ao título, O Novo Heidegger, “novo” deve ser entendido à luz do fato de que, dos aproximadamente cem volumes planejados das obras completas de Heidegger, “apenas” cinquenta foram publicados até o momento, tendo Heidegger falecido em 1976 e seus textos (cursos, livros, conferências públicas) sido lentamente liberados desde então — lentamente demais, na opinião de muitos —, não havendo data clara para a conclusão dessa publicação, mas havendo toda razão para crer que as primeiras décadas deste século continuarão a ver publicações desse pensador que entrou na cena filosófica de modo espetacular em 1927, ano de publicação de Ser e Tempo, até hoje seu texto mais lido e significativo.
- há sempre algo novo “sobre” — e “de” — Heidegger, em virtude de seu próprio espólio literário, permanecendo o continente heideggeriano ainda em processo de mapeamento: conhece-se razoavelmente bem grande parte dele, mas muito ainda precisa ser descoberto, revelando cada novo volume publicado sua cota de surpresas, sendo esse um continente, em muitos aspectos, ainda em formação.
- procurou-se incorporar o máximo possível do material recentemente publicado, com a limitação de concentrar-se, deliberadamente, nos textos recentes disponíveis em tradução, uma vez que se pretende remeter o leitor aos textos originais discutidos sem supor conhecimento de alemão, recorrendo-se apenas ocasional e brevemente a textos ainda não traduzidos.
4. a última década, aproximadamente, testemunhou a publicação de algumas das obras mais importantes (e mais desafiadoras) de Heidegger, quase todas datadas do final dos anos 1930, sendo esses volumes particularmente esclarecedores quanto às suas visões sobre o niilismo e a “maquinação”, o (pós-)humano e o divino, a morte de Deus e/ou a fuga dos deuses (ou Nietzsche e Hölderlin), a linguagem e a poesia, o espaço e o tempo e, sobretudo, a verdade.
- ao mesmo tempo, foram traduzidos alguns de seus primeiros cursos e diversos textos iniciais, proporcionando ao leitor de língua inglesa compreensão mais profunda e clara de sua relação com a filosofia grega e medieval, com a chamada “filosofia da vida” de Dilthey, com a teologia protestante e com o neokantismo, obtendo-se, assim, quadro mais preciso de seu itinerário até a publicação de Ser e Tempo, ao qual se recorrerá na medida em que permita esclarecer questões e problemas recorrentes em seu pensamento.
5. essa abordagem não implica negligência dos textos “antigos”, hoje canônicos e enormemente influentes, mas, havendo já diversas introduções e comentários gerais disponíveis (sobre Ser e Tempo, por exemplo), optou-se por privilegiar uma abordagem temática do conteúdo do pensamento heideggeriano, enfatizando os aspectos que mais claramente emergem de sua produção recentemente liberada.
- adotou-se um princípio de continuidade: ao observar como uma dada questão recorre repetidamente no pensamento heideggeriano, torna-se possível iluminar a evolução, as voltas e reviravoltas desse pensamento, constituindo cada tema discutido ponto de entrada válido para a totalidade desse pensamento, uma vez que todos, em última análise, remetem uns aos outros e ao mesmo problema, à “matéria” mesma do pensamento de Heidegger (a questão do ser).
- o leitor pode explorar a obra na ordem que julgar conveniente, sendo o primeiro capítulo introdutório talvez a única exceção a essa regra, devendo ser lido antes dos demais, existindo, ainda assim, continuidade definida entre os capítulos, cada um partindo de onde o anterior terminou, sendo os Capítulos 2 e 3, que lançam os fundamentos filosóficos da obra como um todo, também os mais complexos e exigentes, podendo por isso ser deixados para o final.
6. um segundo sentido do título compreende os desenvolvimentos mais significativos da literatura sobre Heidegger, consistindo estes, em sua maior parte, em avanços substanciais na área de sua biografia e na gênese de seu pensamento, tendo os trabalhos de estudiosos como Ott, Safranski, Kisiel e Sheehan permitido reconstruir os anos iniciais de Heidegger como pensador, lançando luz sobre sua relação com o catolicismo e o cristianismo, o neokantismo, a lógica, a matemática e as ciências naturais, e a fenomenologia husserliana.
- esses trabalhos permitiram também compreender melhor os detalhes de sua atuação como reitor da Universidade de Freiburg em 1933-34, bem como, em certa medida, as motivações por trás de seu apoio inicial e incondicional ao Nacional-Socialismo, não incluindo esta introdução ao pensamento heideggeriano um capítulo biográfico propriamente dito, mas breve apêndice (Apêndice 1) que destaca aspectos de sua origem familiar, educação, influências e docência até a publicação de Ser e Tempo em 1927.
- apoiando-se na insistência do próprio Heidegger de que todo pensamento está facticamente enraizado, isto é, radicado no próprio ser enquanto existência e na própria história, mostrar-se-á em que medida aspectos de seu pensamento podem ser iluminados de perspectiva histórica e biográfica — por exemplo, o primeiro capítulo, dedicado à concepção heideggeriana da relação entre filosofia e vida, e à vida genuinamente filosófica, permitirá incorporar elementos de seus primeiros anos; o capítulo sobre política incluirá, naturalmente, referências à sua atuação e discursos como primeiro reitor nazista da Universidade de Freiburg.
- ao mesmo tempo, precisamente na medida em que, para Heidegger, sua vida como pensador era indistinguível de sua vida em geral, não se trata de cair na armadilha de esclarecer seu pensamento recorrendo a análises históricas, biográficas ou sociológicas, iluminando sua filosofia os aspectos mais cruciais de sua biografia tanto quanto esta ajuda a esclarecer aspectos daquela.
7. finalmente — embora talvez de modo menos explícito —, O Novo Heidegger pretende transmitir o extraordinário impacto de seu pensamento sobre a vida filosófica e não filosófica do século XX, tratando-se de um pensamento que abriu áreas inteiras e ajudou a repensar outras mais clássicas, incluindo a fenomenologia, a desconstrução, a hermenêutica, a ontologia, a arte e a arquitetura, a inteligência humana e artificial, a psicoterapia e a ecologia.
- muitos dos grandes filósofos europeus do século XX, como Arendt, Gadamer, Levinas, Merleau-Ponty e Derrida, estão intimamente associados a esse pensamento, encontrando outros pensadores contemporâneos, dentro ou fora da filosofia, nele sua inspiração, não se adentrando aqui em detalhes de nenhum desses desenvolvimentos, apenas mencionando-se alguns deles e incluindo-se referências bibliográficas para os interessados, funcionando tais menções como janelas — introduzidas numa série de Apêndices — para uma paisagem nos limites da Heideggeriana.
- O Novo Heidegger constitui, em última análise, um convite a explorar um continente ainda em mapeamento, cujas fronteiras alguns leitores talvez um dia venham a expandir ainda mais.
8. o Capítulo 1 (“Uma Questão de Vida”) introduz a filosofia como atividade ou possibilidade da própria vida (ou existência), como aquilo que se poderia chamar atividade “vital”, semelhante, nesse sentido, a qualquer outra atividade humana, distinguindo-se, contudo, por dirigir-se à própria vida, e por incidir sobre a vida como o suporte (ou a condição de possibilidade) de todas as atividades, havendo, portanto, um entrelaçamento entre a vida como objeto ao qual a filosofia se dirige e a vida como sujeito a partir do qual a filosofia se torna possível — nisso residindo a singularidade da filosofia, que é a reflexão ou a dobra da vida sobre si mesma, na e pela qual a vida se revela a si mesma, constituindo, como tal, uma intensificação da vida, um aumento de seu potencial, contrastando-se com a ciência, vista como processo de desvitalização (Ent-lebnis), por mais importante e interessante que seja, não sendo a vida pressuposta na ciência a mesma vida que a ciência tematiza.
- este capítulo aborda, de passagem, a delicada questão do acesso da vida a si mesma: sendo o objeto de investigação o meu próprio “eu sou”, em toda a sua facticidade e complexidade, isto é, enquanto vivido, como pode a filosofia mantê-lo à vista, tematizá-lo sem distanciar-se dele e, assim, transformá-lo em objeto, em mera coisa, evitando desvitalizar a própria vida ao torná-la objeto teórico? — respondendo-se essa questão pela explicação da fenomenologia hermenêutica como o verdadeiro método da filosofia.
- para além dessa questão metodológica, este capítulo revela como Heidegger veio, lentamente, a identificar a vida com a esfera pré-teórica e pré-epistemológica da existência concreta e cotidiana, sendo enquanto entes existentes (Dasein) que nos relacionamos com o mundo, que o mundo nos afeta e nos importa, constituindo essa relação a própria essência de quem somos, revelando Heidegger, ao isolar e descrever rigorosamente essa camada de experiência irrepresentável e não-matematizável, um sentido de ser para além (ou antes, aquém) do naturalismo, tornando-se a filosofia ontologia fundamental.
9. o Capítulo 2 (“A Verdade que Jaz Abaixo”) trata da questão da verdade, questão que, de muitos modos, coincide com a própria matéria do pensamento heideggeriano, interrogando-se o que Heidegger entende por verdade, uma vez que a vida ou a existência já não pode tornar-se objeto de investigação científica, e o que é a verdade fora de seu quadro de referência científico.
- a verdade que Heidegger busca tematizar é pré-científica, o que significa menos que seja indiferente à verdade no sentido moderno do termo, e mais que a fundamenta ou a torna possível, permanecendo o sentido mais primordial de verdade, precisamente na medida em que esse sentido moderno se tornou dominante e amplamente inquestionado, sempre operante, porém encoberto, buscando Heidegger recuperar esse sentido de verdade sempre pressuposto, mas nunca reconhecido.
- está em jogo, na questão da verdade, a possibilidade de compreender o modo pelo qual o ser está aí (e isto, desde o início, é o que Heidegger tinha em vista com a palavra Da-sein), estando em jogo a possibilidade de descrever a dimensão do “há”, dimensão ao mesmo tempo em toda parte e em nenhuma, implicada no próprio lugar e tempo em que as coisas se encontram, traçando este capítulo a evolução do pensamento heideggeriano sobre essa questão, desde os primeiros cursos sobre o Sofista (1924-25), passando por Ser e Tempo (1927), até “Da Essência da Verdade” (1930) e Contribuições à Filosofia (1936-38).
10. o Capítulo 3 (“Do Espaço e do Tempo”) volta-se à questão do espaço e do tempo do ponto de vista da vida, chegando Heidegger, bem cedo, à convicção de que a vida fática, ou existência, como “fundamento” pré-teórico da vida metafísica e científica, pressupõe concepção diversa de espaço e tempo.
- antes da divisão do mundo entre duas “coisas” ou “substâncias” (res cogitans e res corporea, mente e corpo), há outro sentido, mais profundo, de mundo, que envolve sua própria espacialidade e sua própria temporalidade, tendo nós, modernos, passado a identificar o espaço com o espaço geométrico, equiparando-se hoje o mundo à natureza tal como representada pela física galileana e newtoniana — uma superfície euclidiana na qual às “coisas” são atribuídas posição e velocidade, marcando pontos ao longo de uma trajetória —, sendo igualmente o tempo, ainda nos limites da mecânica clássica, apenas a medida da distância entre dois desses pontos.
- pergunta-se, contudo, se esse é o espaço tal como o vivemos, se esse é o tempo tal como o experienciamos, podendo nós mesmos ser convertidos nesses objetos e nossos movimentos, enquanto corpos, modelados matematicamente, mas não estaríamos, ao fazê-lo, também encobrindo algo, esquecendo que, desde o início e necessariamente, sempre nos relacionamos com essa vida que está sendo reificada, precisamente por sermos essa vida?
- questiona-se se essa descrição matemática e física de nossa própria posição num conjunto de coordenadas expressa propriamente nossa experiência de “onde” estamos, e se o tempo como medida do movimento descreve com precisão nossa experiência de nós mesmos como entes que vivem no mundo, explorando este capítulo a espacialidade do mundo de perspectiva existencial-ontológica e revelando o tempo (temporalidade extática) como a unidade da existência enquanto “ser-no-mundo”.
11. o Capítulo 4 (“O Domínio da Técnica”) estende a análise da verdade em sua dimensão histórica, perguntando qual é a configuração da verdade que hoje nos acomete, qual é a luz na qual as coisas hoje se manifestam, sendo a resposta heideggeriana — “técnica” — conhecida, mas frequentemente mal compreendida.
- mostra-se, neste capítulo, em que medida a metafísica e a história ocidentais são essencialmente técnicas, isto é, governadas desde o início por uma concepção não questionada da realidade que é intrinsecamente produtivista, não sendo o que hoje testemunhamos, na era da tecnociência, da cibernética e da máquina (inteligente), senão a aceleração e a revelação de um processo iniciado há muito tempo.
- ao interrogar a técnica quanto à sua essência, e não apenas seus diversos aspectos, Heidegger conclui que ela exibe nosso destino, sendo ao final desse processo, uma vez revelado por aquilo que é, que o pensamento talvez esteja em posição de iniciar um começo inteiramente novo e intimar uma viravolta dentro da história, perguntando-se qual atitude há de substituir a da técnica, que tipo de relação com o mundo — e com os outros — reclama ser libertada, podendo a resposta heideggeriana resumir-se numa palavra: deixar-ser (Gelassenheit).
12. o Capítulo 5 (“O Poder Salvador da Arte”) trata da concepção heideggeriana de arte e poesia como antídoto ao pensamento técnico e calculante, sendo a arte, para Heidegger, o outro lado, frequentemente oculto, da essência da técnica, forma de saber e de verdade que, contudo, não se desdobra como produção e maquinação, mas como poética.
- essa concepção singular de arte pressupõe que a filosofia rompa com a estética, ainda presa a uma concepção produtivista de arte e a um conceito de verdade intrinsecamente metafísico, assumindo a libertação heideggeriana da questão da arte em relação à filosofia da arte a forma de uma meditação sobre a obra de arte como o sítio ou o lugar de um evento literalmente contraprodutivo — nada tendo isso a ver com celebrar uma concepção puramente “inútil” de arte (“arte pela arte”), mas antes com a possibilidade de identificar um espaço dentro do qual se pode ver ocorrer a essência da verdade.
- apoiando-se em diversas fontes, mostra-se em que medida grande parte da arte contemporânea está enquadrada pelo Sistema técnico que Heidegger descreve, sendo, assim, devedora de uma concepção de verdade que permanece não questionada, mostrando-se, ao mesmo tempo, como outras obras de arte desenvolvem a relação livre com a técnica que Heidegger advoga, precisamente ao voltar-se para aquilo que, estruturalmente, a própria técnica não pode conhecer, revelando a arte — certa arte — a possibilidade de uma relação diversa com o mundo, e com a linguagem como o meio primário no qual essa relação se desempenha.
13. o Capítulo 6 (“À Deriva Política: O Caso com o Nacional-Socialismo”) trata do aspecto mais delicado e controverso do pensamento e da vida de Heidegger, tendo sido sua vida a de um acadêmico e filósofo, não podendo seu engajamento político, dado o que afirma sobre a facticidade da vida e a conexão entre vida e filosofia, ser posto de lado como episódio meramente marginal — o que não significa, contudo, que seu pensamento seja intrinsecamente fascista, como alguns sustentaram.
- tornou-se, em 1933, o primeiro reitor nazista da Universidade de Freiburg, renunciando dez meses depois, referindo-se este capítulo final a seus discursos e ações desse período, buscando apresentar as razões de seu engajamento político.
- é primariamente como acadêmico que Heidegger adentra a cena política, e como pensador que apoia a revolução nazista, na qual vê — embora logo viesse a perceber a extensão de seu erro — a possibilidade única de uma mudança histórica radical que traria transformação total não apenas da universidade, mas também da relação entre universidade e sociedade em geral, o que, de fato, ocorreu, ainda que não somente do modo antecipado por Heidegger, forçando sua renúncia e seu desencanto com aquilo que, até o fim da vida, e com certo pesar por não tê-lo visto desenvolver seu potencial, chamou “o movimento”.
