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Palavras de origem greco-latina (Barfield)

Barfield, 1967

<!–StartFragment –>[…] <em>Iris</em> (a flor e também a parte do olho humano), junto com a bela palavra <em>iridescent</em>, chegaram até nós por meio da deusa grega Íris, cuja forma exterior era o arco-íris. <em>Titanic</em> vem dos Titãs, gigantes seres terrestres que se rebelaram contra Deus de maneira semelhante aos anjos caídos no Gênesis. <em>Hermetically</em> (como em “hermeticamente selado”) nos chegou pelo deus mensageiro grego, Hermes, por uma rota indireta (ver Capítulo VII); e estão em uso mais ou menos comum palavras como <em>aphrodisiac</em>, <em>Apolline</em>, <em>Asia</em>, <em>Atlas</em>, <em>chimera</em>, <em>daedal</em>, <em>Dionysiae</em>, <em>Elysian</em>, <em>Europe</em>, <em>Hades</em>, <em>harmony</em>, <em>Muse</em> e <em>music</em>, <em>mystery</em>, <em>nemesis</em>, <em>nymph</em>, <em>paean</em>, <em>panacea</em>, <em>phaeton</em>, <em>protean</em>, <em>satyr</em>, <em>siren</em> e <em>stygian</em>. A palavra <em>erotic</em>, derivada de Eros, deus grego do amor, é um exemplo interessante de como as experiências das civilizações passadas evaporam em refinamentos essenciais do discurso moderno. Por causa das diferenças entre a Grécia e Roma, que levaram cerca de dois mil anos para se desenrolar no palco da história, hoje podemos fazer distinções sutis, como entre <em>erotic</em> e <em>amorous</em>.

O verdadeiro deus romano do amor, no entanto, embora ainda sobreviva no mundo da fantasia em sua forma original, Cupido, entrou efetivamente em nossa língua apenas por meio da palavra <em>cupidity</em>. Na diferença entre as associações materiais de <em>cupidity</em> e as mais imaginativas de <em>erotic</em>, já começamos a perceber uma dissimilaridade fundamental entre a mitologia grega e romana. Outras palavras que vêm da religião romana incluem <em>cereal</em>, <em>genius</em>, <em>fate</em>, <em>fortune</em>, <em>fury</em>, <em>grace</em>, <em>June</em>, <em>mint</em>, <em>money</em>, <em>Saturday</em>, <em>vesta</em>, os nomes dos planetas, <em>contemplate</em>, <em>sacrifice</em>, <em>temple</em>, <em>Host</em> (de <em>hostia</em>, a vítima sacrificada), <em>augury</em> e <em>auspice</em>. Essas duas últimas nos remetem ao costume romano de interpretar a vontade dos deuses observando o voo dos pássaros. <em>Aves-specere</em> significava “ver pássaros”, e ainda preservamos essa primeira palavra em <em>aviary</em>. <em>Fury</em> e <em>grace</em> são traduções de nomes gregos, mas em algumas das outras—especialmente <em>money</em> e <em>mint</em>, derivadas da deusa Moneta—vemos o reflexo tardio de um processo altamente significativo.

Esse processo é o seguinte: com o passar do tempo, o sentimento religioso romano rapidamente mudou de duas maneiras quase opostas. Por um lado, ele se ligou cada vez mais a objetos concretos e materiais, e, por outro, seus deuses e deusas eram vistos cada vez menos como seres vivos e mais como meras concepções intelectuais abstratas. No entanto, essas duas mudanças não eram realmente opostas, mas complementares. À medida que a parte visível de uma deusa como Ceres se tornava mais concreta, sendo usada simplesmente como sinônimo de trigo, sua parte invisível naturalmente se tornava mais tênue. Assim, o mundo mítico era muito menos real para os romanos do que havia sido para os gregos, parecendo mais um mundo de abstrações mentais.

Logo, havia um “deus”, ou parte de um deus, para cada objeto e atividade sob o sol, e, quando o império foi fundado, cada imperador, ao morrer, automaticamente se tornava uma divindade. Hoje, os dois primeiros imperadores “divinos”, Júlio e Augusto, ocupam seu lugar ao lado de Juno, a Rainha dos Céus, em nosso calendário mensal. Podemos dizer, de fato, que, na época em que o cristianismo começou a se espalhar no Império Romano, a religião oficial romana já estava totalmente desconectada do sentimento, seus restos secos sobrevivendo apenas como um sistema conveniente de nomenclatura. Não que a nova religião não tivesse rivais sérios, mas as doutrinas dos estóicos e epicuristas, as Escolas de Mistério e cultos como o de Mitra tinham pouca relação histórica com a mitologia romana. Entretanto, se Roma não contribuiu com descobertas valiosas sobre as relações entre os seres humanos e os deuses, talvez tenha sido justamente por isso que conseguiu se concentrar mais exclusivamente nas relações entre os próprios indivíduos; e, ao fazer isso, criou a jurisprudência.

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