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Magia árabe e Cabala

BÉHAR, Pierre. Les langues occultes de la Renaissance: essai sur la crise intellectuelle de l’Europe au XVIe siècle. Paris: Desjonquères, 1996.

  • A conversão da magia árabe constitui um momento decisivo na construção do sistema mágico de Agrippa.
    • A magia árabe fornece um repertório técnico altamente desenvolvido.
    • Esse repertório é originalmente estranho ao cristianismo.
    • A conversão visa torná-lo aceitável no interior de um quadro cristão e neoplatônico.
  • A magia árabe caracteriza-se por seu caráter eminentemente operativo.
    • Ela se baseia em procedimentos, receitas e técnicas precisas.
    • O objetivo principal é a eficácia prática.
    • A justificação teológica permanece secundária ou ausente.
  • Agrippa herda da tradição árabe um conjunto de práticas consolidadas.
    • Uso de talismãs e imagens astrais.
    • Emprego de caracteres, selos e figuras geométricas.
    • Atenção rigorosa aos tempos e configurações astrológicas.
  • A conversão consiste em reinterpretar essas práticas à luz de uma cosmologia espiritual.
    • As forças invocadas deixam de ser entendidas como poderes autônomos.
    • Elas são integradas à hierarquia do cosmos.
    • A magia passa a operar dentro de uma ordem universal providencial.
  • A astrologia funciona como princípio de legitimação.
    • As operações não são atribuídas a demônios arbitrários.
    • Elas são explicadas por influências celestes regulares.
    • A magia árabe é reinterpretada como ciência das causas secundárias.
  • A incorporação dos anjos desempenha papel central nessa conversão.
    • Os espíritos árabes são assimilados a inteligências celestes.
    • A invocação é deslocada do plano demoníaco para o angélico.
    • A prática ganha uma aparência de ortodoxia.
  • A linguagem ritual é reformulada.
    • Fórmulas obscuras são substituídas por nomes considerados legítimos.
    • Os nomes divinos e angélicos ocupam o lugar dos nomes estrangeiros.
    • A eficácia é mantida, mas o sentido é transformado.
  • A magia árabe é submetida a um enquadramento filosófico neoplatônico.
    • O mundo é concebido como cadeia contínua de seres.
    • As influências descem gradualmente do Uno ao múltiplo.
    • A operação mágica explora essa continuidade.
  • A conversão não elimina totalmente os elementos problemáticos.
    • Muitos procedimentos permanecem tecnicamente idênticos.
    • A distinção entre invocação legítima e prática supersticiosa enfraquece.
    • A ortodoxia resulta mais formal do que substancial.
  • O resultado é uma magia híbrida.
    • Técnicas árabes conservadas.
    • Linguagem cristã e cabalística sobreposta.
    • Justificação filosófica posterior à prática.
  • Essa conversão amplia o alcance do sistema de Agrippa.
    • A magia torna-se universal.
    • Nenhuma tradição é excluída em princípio.
    • Todas podem ser reinterpretadas dentro de uma mesma estrutura.
  • Ao mesmo tempo, a conversão intensifica as ambiguidades do sistema.
    • A magia cristianizada conserva procedimentos de origem não cristã.
    • A fronteira entre conversão e dissimulação permanece instável.
    • A síntese resulta poderosa, mas conceitualmente frágil.
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