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Gnose, ciência e estrutura do conhecimento simbolista

Abellio, Serant1955

  • Delimitação do problema da distinção entre gnose e ciência a partir do uso comum do discurso comunicável
    • A questão é estabelecida a partir da constatação de que a gnose, assim como a ciência positiva, emprega o instrumento do discurso e pretende ser comunicável, de modo que a diferença entre ambas não pode ser deduzida simplesmente do meio expressivo utilizado.
    • A distinção é indicada como decisiva e ainda insuficientemente explicitada, de modo que apenas afirmações necessariamente incisivas podem ser apresentadas neste ponto.
    • A tarefa de explorar essa distinção e explicitar o seu sentido é atribuída ao projeto editorial mencionado, que se define precisamente pela investigação desse limiar entre regimes de conhecimento.
  • Oposição entre sucessão científica e simultaneidade gnóstica como diferença de regime de visão do mundo
    • A ciência é caracterizada por uma visão do mundo em modo de sucessão, isto é, por um encadeamento que procede por séries, etapas e articulações lineares.
    • A gnose é caracterizada por uma visão do mundo em modo de simultaneidade, na qual a realidade não é apreendida como coleção de seres e fenômenos separados.
    • A separação é atribuída a um estado provisório da visão e a uma redução abstrata que exige complemento por integração, de modo que a ciência opera por redução e a gnose por integração.
  • Apoio em uma formulação cartesiana da perfeição do todo para sustentar a exigência de integração
    • A integração é reforçada por uma passagem em que a consideração isolada de uma criatura pode parecer imperfeita, ao passo que a consideração de todas as criaturas em conjunto permite reconhecer a perfeição do universo.
    • A passagem é mobilizada como exemplo de um deslocamento da análise da parte para o todo, no qual a avaliação de sentido depende da inclusão do particular na totalidade.
    • O ponto visado é que o isolamento é metodologicamente decisivo para certos procedimentos, mas onticamente insuficiente para a inteligibilidade do conjunto.
  • Indicação do raciocínio por analogia como instrumento próprio da gnose e sua função de estabelecer correspondências
    • A gnose é associada ao raciocínio por analogia, no qual a interdependência universal seria obtida por aproximações qualitativas, em contraste com as aproximações quantitativas próprias da ciência.
    • A percepção de analogias é descrita como estabelecimento de correspondências entre níveis da realidade, orientando-se para a formação de focos de sentido chamados símbolos.
    • Os símbolos são compreendidos como centros a partir dos quais irradiariam expressões diversas de uma grande unidade, de modo que a unidade não é simplesmente postulada, mas articulada por uma rede de correspondências.
  • Determinação inicial da gnose como conhecimento simbolista e necessidade de fundação de legitimidade
    • O modo mais simples de constituição da gnose é definido como conhecimento simbolista alimentado pela descoberta e explicitação de analogias.
    • Entretanto, esse conhecimento é declarado insuficiente enquanto não for fundado em legitimidade, pois a simples proliferação de analogias não garante valor cognitivo.
    • A exigência central é a de que o simbolismo não permaneça no nível de constatação sugestiva, mas alcance um estatuto fundamentado.
  • Risco de degeneração do simbolismo em poesia e problema da comunicabilidade plena
    • A conhecimento simbolista é apresentada como escapando às normas da ciência positiva e elevando-se ou degradando-se em poesia, o que recoloca o problema de seu estatuto cognitivo.
    • A poesia é descrita como comunicação sempre parcial de uma visão, uma vez que dois poetas não falam completamente a mesma língua, e a essência da poesia é situada na distância.
    • Os signos dirigidos ao mundo são afirmados como portadores de um sentido desconhecido e transbordante, de modo que a significação excede o controle do emissor e impede a plena estabilização comunicativa.
  • Exigência de uma unidade subjacente e de um modo instrumental rigoroso para evitar o caos das poesias individuais
    • A possibilidade de uma harmonia é condicionada à hipótese de que a conhecimento simbolista, tomada em seu conjunto, seja tecida por uma unidade sutil que permita reduzir seu instrumento e reconstituir sua démarche em forma rigorosa.
    • A legitimação dos fundamentos é apresentada como condição para que o simbolismo não permaneça disperso em ressonâncias individuais incomensuráveis.
    • O objetivo editorial é explicitado como deslocamento da enumeração de analogias para a fundação de valor e de polivalência significante, isto é, para a legitimação do simbolismo por articulação e estruturação.
  • Reconstituição da poesia como passagem do sonho à vigília e exigência de rigor orientado à própria abolição
    • O mérito do simbolismo poético e sua confirmação pela experiência surrealista são apresentados como liberação da poesia, isto é, como desbridação.
    • A tarefa presente não é regridir, mas reconstituir, e reconstituir sem perder a poesia, o que implica transformar a espontaneidade primária tateante em espontaneidade segunda que já não necessita escolher.
    • O rigor é descrito como exigência tendente à própria abolição, sendo associado a uma exigência platônica, e a empresa é declarada sem exemplo no Ocidente.
  • Formulação da questão diretriz: explicitar a estrutura da conhecimento simbolista por comparação com a ciência
    • A investigação propõe inicialmente a tarefa de destacar a estrutura da conhecimento simbolista.
    • A ciência é tomada como termo de comparação, não para reduzir a gnose à ciência, mas para tornar inteligível a forma de suas operações por contraste estrutural.
    • A comparação é orientada pela análise do procedimento científico como encadeamento de operações mediadas por instrumentos.
  • Estrutura do procedimento científico como proporção e papel dos instrumentos objetivos
    • A ciência é descrita como procedendo por aproximação de fatos, sendo o aproximar materializado por mecanismos que permitem medições quantitativas.
    • Um exemplo é apresentado na medição de pressão e volume de um gás e na constatação da constância do produto, donde se extrai uma lei, permitindo explicitar a estrutura formal das operações.
    • Essa estrutura é definida como proporção, isto é, relação entre duas relações, pois a medida de cada grandeza exige um primeiro e um segundo relatórios entre o fenômeno e o aparelho de medida, e a lei emerge de um terceiro relatório que confronta os dois primeiros.
    • O caráter objetivo dos instrumentos é apresentado como fundamento da objetividade da lei, por permitir abstrair a equação pessoal do experimentador, incluindo-se nesse conjunto tanto mecanismos materiais quanto as matemáticas como instrumento de outro gênero.
  • Generalização da estrutura proporcional a toda intuição e julgamento e especificação do caso da analogia
    • É afirmado que seria fácil generalizar e mostrar que toda intuição e todo julgamento se moldam em uma estrutura semelhante à proporção.
    • A analogia é apresentada como caso particularmente claro, formulado como A está para B assim como C está para D.
    • A diferença decisiva é deslocada para o regime de mediação, pois, no caso geral, as mediações não são asseguradas por mecanismos objetivos, mas pelo próprio observador, o que introduz o caráter subjetivo da intuição e do julgamento por analogia.
  • Critério científico de adequação e o problema da evidência não reduzida
    • A ciência é descrita como esforçando-se por reduzir o caráter subjetivo para tornar a intuição não apenas evidente, mas adequada.
    • Uma analogia atribuída a Newton é analisada como evidência que permanece não necessariamente adequada enquanto não for reduzida quantitativamente a um conjunto de medidas.
    • O contraste é reforçado pela distinção entre evidência e verdade, pois a evidência de pensar não impede pensar falsamente, e a adequação exige mediações quantitativas que sustentem demonstração.
  • Relação temporal entre gnose e ciência em Newton e reafirmação do par redução e integração
    • A gnose de Newton é afirmada como tendo precedido sua ciência na forma de intuição iluminativa já encarnada, mas também como tendo sucedido a ciência na forma de novas intuições mais universais após a compreensão e demonstração.
    • O ponto visado é que a demonstração científica pode retroagir sobre a capacidade intuitiva, produzindo novas integrações, sem que a ciência se confunda com a gnose.
    • Propõe-se reconstituir esse percurso para esclarecer a estrutura oculta sob a simultaneidade gnóstica e a percepção intuitiva das analogias.
  • Análise retrospectiva da intuição como modelo de reconstituição fenomenológica para uma metafísica ou esoterismo regenerados
    • A instantaneidade da intuição é descrita como fonte de força iluminativa e como um único momento de vida, mas ela é declarada decomponível retrospectivamente pela análise de suas implicações.
    • Essa decomposição é apresentada como protótipo de reconstituições fenomenológicas, capazes de servir de base a uma regeneração de domínios especulativos.
    • A reconstituição visa mostrar que a simultaneidade não é ausência de estrutura, mas condensação estruturada que pode ser explicitada sem perder inteiramente sua força.
  • Reconstituição da intuição newtoniana como extração de três relações e papel da revolução copernicana
    • O primeiro relatório é descrito como a visão da queda da maçã, na qual a visão ingênua apreende um vínculo entre o fruto e a terra que o recebe.
    • O segundo relatório é descrito como visão da relação entre terra e universo, que, se permanecesse no nível banal, deveria aparecer como universo movendo-se em torno de uma terra imóvel.
    • A revolução copernicana é apresentada como inversão desse segundo relatório e como visão transcendental, não ingênua, sendo integrada na intuição de Newton.
    • O terceiro momento consiste em aproximar os dois relatórios e perceber um escândalo, pois em um mundo homogêneo o pequeno deveria mover-se em relação ao grande, e não o inverso.
    • A intuição é descrita como cessação desse escândalo por restauração do relatório correto, contrário ao senso comum, e como produto da integração dos adquiridos copernicanos.
  • Estrutura da intuição como inversão de inversão e passagem do eu ingênuo ao eu transcendental
    • A intuição aparece como inversão transcendental da inversão natural, isto é, uma inversão da inversão, na medida em que corrige a orientação espontânea do senso comum.
    • Ela aparece sobretudo como confronto no próprio sujeito entre um eu ingênuo da banalidade cotidiana e um eu transcendental de visão transfigurada.
    • O traço decisivo é o retorno sobre si do olhar ingênuo que inicialmente se dirigia ao mundo, retorno que opera a passagem de um regime de visão a outro.
  • O retorno sobre si do olhar como fato capital e a função geradora do escândalo e da contradição
    • O retorno do olhar sobre si é declarado fato capital e é dito nascer do escândalo do mundo, de modo que o escândalo é elevado à condição de operador originário.
    • A contradição é apresentada como condição de geração, pois nada nasce senão pelo jogo da contradição.
    • Esse retorno é dito implicitamente presente em toda descoberta ou invenção científica, mas é diferenciado do modo como a ciência o trata.
  • Diferença entre ciência e gnose quanto ao estatuto explícito do retorno e crítica da linearidade causal
    • A ciência é descrita como buscando perpetuamente exceder-se ao abrir novas linearidades e novas sucessões causais nas quais, sem o saber, aliena o retorno sobre si.
    • A gnose, a fenomenologia moderna e o esoterismo são apresentados como pretendendo tornar explícito esse retorno, em vez de mantê-lo implícito.
    • Renunciando aos encadeamentos causalistas, a gnose fecha esses encadeamentos sobre si mesmos, vê em todo efeito a causa de sua causa e destrói, em sua concepção dialética de interação universal, a noção de tempo sucessivo.
  • A crise contemporânea das ciências e a emergência de modelos de retorno em sistemas autorreguladores
    • A incapacidade da ciência contemporânea de introduzir seus mediadores habituais no infinitamente grande e no infinitamente pequeno é apresentada como obstáculo decisivo à linearidade.
    • Desse choque decorre a linguagem de crise das ciências e a revisão da concepção de determinismo.
    • A noção de feed back é citada como já colocando o problema do retorno sobre si da cadeia causa-efeito em sistemas autorreguladores, mas é afirmada a necessidade de ir muito além.
  • A simultaneidade como fundamento de visão absoluta e a estrutura proporcional como forma dessa visão
    • O modo de visão em simultaneidade é apresentado como fundamento mesmo da visão absoluta.
    • A estrutura dessa visão é identificada como a proporção, isto é, uma articulação formal que governa mediações e relações em uma totalidade integrada.
    • Sob o nome de logos, atribui-se a Platão a mira da função criadora da mediação, também chamada harmonia, e essa mesma estrutura é associada à descrição husserliana dos relatórios entre noema e noese no interior da consciência absoluta.
    • Metafísica, fenomenologia transcendental e esoterismo regenerado são colocados como explorando o mesmo campo, o do desdobramento das implicações da estrutura absoluta.
  • Força evocadora do simbolismo como efeito de estruturação implícita e tensão dramática da multiplicação de valências
    • A força de evocação do simbolismo é atribuída à estruturação implícita que sustenta seus aproximar e lhes confere poder de integração independente da letra do símbolo.
    • Cada símbolo é apresentado como integrável e apenas foco provisoriamente isolado no interior de foco mais vasto, ainda por nomear, e a aura do simbolismo é ligada à falta de explicitação dessa potência alusiva.
    • Essa falta é interpretada como evocação de um pleno, mas à medida que os símbolos multiplicam valências e tecem trama mais densa, a evocação torna-se dramática, pois o sujeito se perde e deseja simultaneamente perder-se e encontrar-se.
  • Passagem da evocação à invocação e critério externo de julgamento pela armadura estrutural
    • A invocação nasce do paroxismo da evocação, e sua qualidade não pode ser julgada senão do exterior, segundo a capacidade de aplicar à exuberação poética a armadura geométrica da estrutura absoluta.
    • O critério indicado é a capacidade de intensificar a efusão por infusão de ordem, fazendo surgir uma luz de ordem que não é fria, mas mais ardente.
    • A tese decisiva é que conhecimento é ordem ou não é, e desse ponto deriva o papel tradicional atribuído ao mestre.
  • Figura do mestre como possuidor da visão da estrutura absoluta e operador de completamento dialético
    • Mestre é definido como aquele que possui visão da estrutura absoluta e é capaz de ultrapassar estruturas amputadas ou alienadas completando-as.
    • Essa capacidade implica situar exatamente polos de sentido em suas correspondências e dialetizar o que ainda é linear e não circular, ou mais adequadamente esferoidal, sucessivo e não simultâneo, estático e não genético.
    • O mestre é apresentado como auxiliando o discípulo a passar do estado de evocação ao de invocação, isto é, a transformar potência alusiva em operação estruturante.
  • Capacidade de estruturação como intuição de essências e vínculo com análise intencional fenomenológica
    • A capacidade de estruturação é atribuída ao que se nomeia intuição das essências, e é afirmado que ela escapa à psicologia natural.
    • Ela pertence ao domínio da análise intencional que funda o método fenomenológico moderno e mobiliza a potência gnóstica do ser.
    • Os desregramentos verbais da mitologia poética e a hipóstase de deuses e demônios são ligados a um defeito dessa capacidade, isto é, à ausência de estruturação que disciplina o simbolismo sem anulá-lo.
  • Regra de ouro do simbolismo como primado das estruturas sobre a aproximação de palavras e crítica do nominalismo alegórico
    • A regra indicada não é aproximar palavras sob pretexto de que tudo está em tudo, mas destacar as estruturas nas quais as aproximações se efetivam e as filiações bilaterais em que se atam.
    • A estrutura é declarada transcendente às palavras, de modo que o verbo prevalece sobre o nome, a função sobre o órgão e a polaridade apaga os polos.
    • Um exemplo é apresentado pela guematria cabalística, em que valores numéricos de nomes permitem igualações inesperadas, produzindo uma mina de aproximações e alegorias passíveis de delírio sem controle.
    • Essa prática é descrita como caricatura da verdadeira guematria, e a hipóstase de nomes é indicada como alienação de sentidos, ainda que se reconheça que esse desordem tem sentido como infância da arte.
  • Paralelo com a axiomática moderna e deslocamento para primado da estrutura
    • É indicado que nas matemáticas modernas, particularmente na axiomática, a estrutura terminou por apagar o objeto.
    • O paralelo reforça o argumento de que o valor cognitivo do simbolismo depende menos de objetos isolados do que de formas estruturais que organizam relações.
    • A referência a uma perspectiva histórica imperfeita é utilizada para marcar que o caráter inaugural de uma descoberta não coincide com sua exatidão plena.
  • Observação sobre teorias psicanalíticas e facilidade de escamotear o problema do fundamento por evidência estrutural
    • O sucesso das teorias psicanalíticas é ligado à estrutura organizada em torno de arquétipos principais que se arranjam segundo uma estrutura familiar.
    • Essa estrutura é apresentada como ilustração da estrutura absoluta, o que produz um caráter de evidência.
    • Contudo, o caráter evidente não é identificado a compreensão real, pois a substantivação de polos de sentido pode obliterar o jogo da transcendência.
  • Observação paralela sobre astrologia: empirismo inicial, ampliação simbólica e papel indutor da estrutura absoluta
    • A astrologia é descrita como reiniciando pelo empirismo e mantendo seu código tradicional submetido à experiência, mas já beneficiada pela virtude do simbolismo.
    • A introdução de planetas adicionais é apresentada como decorrente de necessidade simultaneamente empírica e intuitiva de completar uma repartição para permitir o jogo dialético de analogias e complementaridades.
    • A estrutura absoluta é novamente indicada como desempenhando papel indutor, orientando completamentos e redistribuições no interior do sistema simbólico.
  • Distinção entre simbolismo de verbos e simbolismo de nomes e inscrição na redução eidética
    • Uma distinção é indicada entre dois simbolismos dialeticamente ligados, um funcional ligado a verbos e outro orgânico ligado a nomes e objetos.
    • Um sistema simbólico de verbos é descrito como induzindo essências e inscrevendo-se empiricamente no sentido de uma redução eidética geral.
    • Esse movimento envolve múltiplas psicanálises e uma astrologia estrutural que se deixam atrair por uma formalização mais integradora.
  • Crítica de recenseamentos lineares em psicanálise e exigência de organização genética
    • Um exemplo de encadeamento de níveis é apresentado como conjunto justaposto e linear, correspondente a mero recenseamento que aguarda organização genética.
    • A questão diretriz é formulada como problema de comando estrutural da emergência de um conteúdo comum sob formas variadas.
    • A exigência é de redução da cadeia analógica, isto é, de reconstituição da estrutura que governa as passagens entre níveis, em vez de mera acumulação de correspondências.
  • Exemplo de astrologia e limite da correlação entre aspecto astral e situação concreta
    • Um agrupamento astral é associado a personagens diversos, sendo indicado que o traço comum é agressividade em esferas diferentes, mas permanece o problema de correlacionar aspecto astral e situação concreta real.
    • Permanece insuficiente ficar no plano de efeitos, pois isso não correlaciona adequadamente polos de sentido e determinações concretas, exigindo pôr aspectos em relação com outros aspectos.
    • O risco de dispersão em multiplicidade infinita de relações conduz a astrologia a manter número limitado de estruturas simples e polivalentes, objetivando seu sentido e marcando o limite de uma astrologia objetiva.
  • Deslocamento final para a problemática do praticante e dissolução de problemáticas regionais
    • Para ultrapassar estruturas parciais seria necessário colocá-las em movimento em direção à estrutura global, mas isso é declarado como não pertencendo propriamente ao domínio técnico da astrologia.
    • Nesse ponto o praticante é colocado em questão por seu poder mais ou menos integrador de apagar fatos particulares atrás da universalidade de essências e, finalmente, de apagar as próprias essências.
    • Afirma-se, assim, não haver problemática própria da astrologia nem da psicanálise enquanto tais, mas problemática do astrólogo e do psicanalista, o que desloca o centro da questão para a capacidade de integração do sujeito operador.
  • Fecho: orientação pela estrutura absoluta não equivale a legitimação como ciência objetivável
    • A capacidade da estrutura absoluta de orientar, enriquecer e intensificar a conhecimento simbolista não implica a legitimação dessa conhecimento como ciência objetivável.
    • O movimento em direção à objetividade é dito perder-se indefinidamente no poder inefável do eu, de modo que a objetivação completa encontra um limite estrutural.
    • A distinção entre gnose e ciência retorna assim ao ponto inicial, pois o uso do discurso comunicável não elimina a diferença de regime de visão, de mediação e de legitimação.
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