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Gabriel Marcel

Μ.-Μ. DAVY. UN PHILOSOPHE ITINÉRANT. GABRIEL MARCEL. Paris: Flammarion, 1959

“Acho que nunca conheci ninguém que me parecesse, não apenas mais autêntico, mas também mais sedento por autenticidade.”

Essas linhas escritas por Gabriel Marcel a respeito de Max Picard poderiam ser ditas sobre ele próprio; elas o definem, atribuindo-lhe uma qualidade distintiva: essa sede de autenticidade que, levada ao extremo, faz de Gabriel Marcel um itinerante.

Esse músico, dramaturgo e filósofo, cuja obra é universalmente conhecida tanto na França quanto no exterior, apresenta-se como um dos maiores pensadores de nosso tempo. Suas obras e peças teatrais são lidas em todas as línguas. As teses e os estudos sobre seu pensamento são produzidos por professores e estudantes ingleses, americanos, alemães, italianos, espanhóis e japoneses.

Poderíamos nos perguntar quais são os motivos deste livro. Seu objetivo é tornar acessível um pensamento que, à primeira vista, pode parecer de difícil compreensão; ele se dirige a um público culto, mas não especializado em estudos filosóficos; sua ambição é, sobretudo, atender ao desejo de estudantes que nutrem em seus corações a paixão pela verdade. A esses, estas páginas pretendem indicar o rumo de um espírito de exigência incontestável.

Ao escrever sobre um autor contemporâneo, convém lembrar um pensamento que Diógenes Laércio atribui a Antístenes: “É melhor encontrar corvos do que bajuladores; uns te devoram morto, os outros vivo” (VI, 4). Este livro, portanto, não terá qualquer preocupação em agradar, nenhuma bajulação o sobrecarregará. Além disso, não é certo que este esboço de um rosto e de um pensamento seja perfeitamente preciso. O que parece indiscutível é a lealdade do biógrafo, que expressa apenas o que considerava verdadeiro. É evidente que um espírito de profunda estima e de amizade fervorosa o animou constantemente. Mas a simpatia é a forma mais segura de abordagem no âmbito da visão e do entendimento; ela não pretende distorcer nada, apenas descrever o que acredita ter descoberto. E se alegra com sua descoberta, que lhe pertence exclusivamente, mesmo que outros tenham feito afirmações idênticas. Pois há sempre um encontro que se opera quando o autor e seu biógrafo se encontram em um caminho de peregrinação.

O biógrafo pode parecer ter insistido demais nos elementos da busca e não ter destacado suficientemente as certezas adquiridas, mas essa aceitação da busca a ser prosseguida ao longo de toda a existência constitui, justamente aos seus olhos, a única razão para continuar seu caminho, alimentando-se do maná, ou seja, do pão dado gratuitamente ao viajante que se aventura no deserto em busca da terra prometida.

Tal busca exige que nunca se considere a si mesmo como detentor da verdade; é por isso que ela se realiza no mistério da morte e da vida transfigurada.

Essa ideia de viagem da vida para a morte e da morte para a vida não pertence, por acaso, à criação eterna?

Propomos, nestas páginas, falar de um músico, dramaturgo e filósofo, que vive ao ritmo do mundo, não construindo um universo novo, mas, segundo a frase de Charles du Bos — que aqui se aplica de forma eminente —, propondo um “novo sentido do universo cotidiano”. E neste “mundo quebrado” — no qual nos encontramos — a presença de um ser autêntico em busca rigorosa de uma maior autenticidade é um fator de esperança.

Expressamos nossa gratidão ao Sr. Gabriel Marcel por todos os documentos que colocou à nossa disposição. Agradecemos a Gaston Baechtold por sua gentil contribuição ao estudo do teatro de Gabriel Marcel.

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