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cassirer:1944:2

2 Símbolo

Antropologia Filosófica. Ernst Cassirer. Trad. Vicente Felix de Queiroz. Editora Mestre Jou, 1972

UMA CHAVE DA NATUREZA DO HOMEM: O SÍMBOLO

1. A biologia, embora deva valer-se dos métodos empíricos de observação e experimentação, exige um pensamento distinto do físico e do químico, pois a vida é uma realidade autônoma e última, e cada organismo, como um ser monádico dotado de experiência peculiar, possui um mundo próprio, incomensurável com o das demais espécies.

2. Pela anatomia comparada, que fornece todos os dados para reconstruir o modo de experiência de cada espécie, revela-se que todo organismo, do mais ínfimo ao mais complexo, está inteiramente coordenado com seu ambiente graças à cooperação entre um sistema receptor e um sistema efetor, entrelaçados como elos de um mesmo círculo funcional.

3. No mundo humano, entre o sistema receptor e o efetor interpõe-se um sistema simbólico que transforma qualitativamente o círculo funcional, retarda a resposta pelo pensamento e faz o homem viver não mais num universo puramente físico, mas num universo simbólico tecido pela linguagem, pelo mito, pela arte e pela religião, de modo que a realidade só lhe é acessível através desse meio artificial.

4. Como a razão é um termo insuficiente para abarcar toda a riqueza e diversidade das formas da vida cultural, que são todas formas simbólicas, a definição clássica do homem como animal racional deve ser corrigida e ampliada para a de animal simbólico, capaz de designar sua diferença específica e de esclarecer o novo caminho que se lhe abre: o da civilização.

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