ZAMBRANO, María. Claros del bosque. 4. ed ed. Barcelona: Seix Barral, 1993.
A atenção aos signos naturais, como os encontrados em seres vivos, constitui uma forma de revelação das circunstâncias que reconduz o ser humano a uma paz primordial de habitante do universo, anterior à separação criada pela cidade.
Signos na natureza (mariposa, planta) que não são avisos utilitários.
Sentimento de paz e reconciliação com o cosmos.
Contraste entre a vida no universo e a vida protegida e limitada pela cidade.
O teto e a porta como marcos de separação entre o humano e o universo.
A Medusa, tanto no mito quanto na forma animal marinha, representa um esquema de pensamento puro ou sistema nervoso desencarnado, evocando o terror e a esperança de um saber absoluto e não condicionado pelos sentidos.
Medusa mítica como fonte de terror e origem de Pégaso.
Medusa animal como visualização de um cérebro ou pia-máter flutuante.
Sugestão de um pensamento anterior ou independente da encarnação.
Vínculo com o sonho originário e o terror abissal.
O ponto, sendo inacessível e sem dimensão, opera um desprendimiento em quem o contempla, oferecendo a experiência de um viver puro e sem lugar, liberto da causalidade e da duração.
Natureza do ponto: não é lugar, nem causa, nem efeito.
Efeito de desprendimento do devir.
Profecia de uma vida intensa sem extensão temporal.
Experiência de transcendência sobre a cadeia de causas.
Na experiência interior profunda, o “eu” percebido como ponto escuro pode transformar-se no centro de uma cruz formada pelo tempo e pela eternidade, onde o coração ocupa seu lugar verdadeiro de receptividade.
Sensação do eu como ponto escuro e imóvel.
Cruzamento do tempo sucessivo com a eternidade.
O coração como vaso vazio e centro passivo.
Vida verdadeira como extensão nessa cruz, superando a usurpação do eu.