A análise crítica revela que os conceitos de «pessoa» e «ato» são construções híbridas e intersectivas, dilaceradas entre as lógicas incompatíveis dos dois mundos ideais que a metafísica projeta: o mundo da identidade absoluta (das coisas) e o mundo da causalidade infinita (dos eventos). A pessoa, para ser sujeito de imputação, deve possuir a estabilidade da coisa, permanecendo idêntica a si mesma através do tempo (como o César de
Leibniz, cuja essência contém seus predicados), mas simultaneamente deve ser capaz de iniciar cadeias causais novas sem ser determinada pela sua natureza prévia (como o Don Juan de
Kierkegaard, que é pura eventualidade); ela é, portanto, uma contradição teórica, um ser que deve ser substância para responder pelo passado e liberdade para agir no presente.