Wolff

Francis Wolff (1950)

WOLFF, Francis. Notre humanité: d’Aristote aux neurosciences. Paris: Fayard, 2010

A questão do homem ultrapassa o plano meramente especulativo, transbordando tanto para a esfera do saber quanto para a esfera social e normativa.

As figuras do “homem estrutural” e do “homem neuronal” foram extraídas das próprias práticas científicas, sem que nenhuma disciplina as formulasse explicitamente.

Partindo das definições filosóficas do homem — e não das teorias científicas —, destacam-se as mais comuns e influentes da história.

Aristóteles e Descartes são não apenas metafísicos, mas também cientistas, cada um fundando uma ciência natural em sentido distinto.

As célebres concepções do homem em Aristóteles e Descartes só se compreendem plenamente no quadro de seus respectivos projetos epistemológicos — as revoluções científicas que cada um pretendia fundar.

Existe uma estreita correlação entre as quatro definições filosóficas do homem e as quatro grandes mutações na ordem do saber.

A correlação entre definição filosófica e projeto científico parece inversa nas duas primeiras figuras em relação às duas últimas.

A aparente inversão da correlação entre figura do homem e projeto científico é, porém, passível de questionamento.