Refutação da crença em juízos sobre o abstrato como fundados apenas no conteúdo isolado
Pode parecer que, uma vez realizada uma noção, enunciações posteriores se apoiariam exclusivamente no conteúdo isolado.
A impressão de que se fala do conteúdo enquanto tal, sem referência à realidade empírica, é reconhecida como parcialmente correta, mas insuficiente.
O sentido dos juízos sintéticos “A é B” é retomado: eles exigem explicação por “Ax é B”, sem exceção para o abstrato geral.
Verdades sobre vermelho e sobre 2 não dependem de casos empíricos contingentes, mas isso não implica derivação a partir do conteúdo isolado do sujeito.
Juízos exigem considerar o conteúdo em conexão com outros conteúdos, como parte de um conjunto mais amplo de natureza ideal.
Nega-se a existência de uma classe de juízos analíticos entendidos como complexos sem síntese; restariam apenas identidades e contradições formais.
Um juízo como “o vermelho é uma cor” é interpretado como inserção do vermelho numa classe ao lado de outras cores e como ligação com a noção geral de cor que unifica diferenças.
Um juízo aritmético como 2 vezes 2 igual a 4 pressupõe o sistema numérico e relações inteligíveis com outros números, não contemplação isolada do conteúdo de 2.
O mal-entendido dos juízos como analíticos decorre de que as noções são pensadas desde o início em correlação com outros fatores.
Admite-se que há uma unidade íntima entre termos, mas recusa-se que essa unidade seja identidade, e mantém-se que, enquanto correlação de noções, o juízo é síntese entre determinações diferentes.
O fundamento do juízo está fora do conteúdo específico isolado do sujeito e requer apoio em outros aspectos ainda desconhecidos do objeto ligados a A.
Os juízos sobre o abstrato geral ajustam-se ao esquema “Ax é B”, em que A é ponto de partida para penetrar regiões ainda inexploradas do objeto e descobrir B.