O estado destes espíritos degenerados do planeta Marte, cujos habitantes vivem ainda em grande parte no Amor celeste, foi representado por outra imagem, vendo Swedenborg uma coisa ígnea muito bela, constituída de muitas cores cintilantes, púrpura, depois branco, depois vermelho, aparecendo uma mão, à qual este ser ígneo se fixava primeiro nas bordas exteriores, depois na palma, depois em volta da mão, afastando-se depois a mão assim como o ser ígneo a alguma distância, parando, semelhantes a uma claridade, e desaparecendo a mão, transformando-se depois o ser ígneo num pássaro que, no início, estava ainda adornado de cores vivas e cintilantes, desaparecendo pouco a pouco estas cores e, com elas, a força vital do pássaro, voando este primeiro em volta de sua cabeça, depois numa sala estreita que parecia uma capela, e, quanto mais voava, mais a vida se evadia de seu corpo, tornando-se finalmente uma pedra, primeiro cinza pérola, depois cada vez mais sombria, mas, embora não tivesse mais vida, continuou a voar, aparecendo, quando o pássaro voava ainda em volta de sua cabeça e tinha ainda sua força vital, um espírito que, vindo de baixo, atravessou a região dos rins e subiu até o peito e, dali, quis apoderar-se do pássaro, impedindo-o os espíritos que estavam à sua volta por causa da beleza deste, pois todos tinham dirigido seus olhares ao mesmo tempo que ele sobre o pássaro quando este aparecera, convencendo-os contudo ele que o Senhor estava com ele e que seu ato era ditado por ele e, embora a maioria não o cresse, não o impediram mais, mas, como o Céu neste momento se fez influente, nada pôde sobre o pássaro e este lhe escapou, falando entre si os espíritos, enquanto isto se produzia, da significação desta aparição, reconhecendo eles que este fenômeno só podia emanar dos Céus e que o ser ígneo representava o Amor celeste, sendo a mão o símbolo da vida e de sua força criadora, a alteração das cores representando a transformação da vida pela Sabedoria e pelo Conhecimento, significando o pássaro igualmente o amor e o conhecimento que dele decorre, mas, enquanto o fogo indica o Amor celeste, o Amor do Senhor, o pássaro representa o amor espiritual, isto é, o amor do próximo e o conhecimento inerente a este, simbolizando as modificações das cores e da vida no pássaro até que se tornou uma pedra as transformações progressivas da vida espiritual após o conhecimento, sabendo além disso eles que os espíritos que sobem da região lombar até o peito se figuram erradamente que estão no Senhor, e que tudo o que fazem, mesmo se é mau, é comandado por ele, sendo-lhes contudo obscura a significação do conjunto desta visão, instruídos finalmente de cima que se devia compreender por esta aparição o estado no qual viviam os habitantes de Marte, significando o ser ígneo o Amor celeste no qual se encontram ainda muitos entre eles, o pássaro, enquanto resplendecia de cores e tinha toda sua força vital, seu amor espiritual, mas, quando se tornou inerte e sombrio como uma pedra, designando os seres que se afastaram do amor e persistem no erro, aqueles que transformam a vida de seus pensamentos e sentimentos duma maneira insólita num simulacro de vida e num conhecimento estéril, sendo representados tais espíritos tornados estranhos ao amor, encerrados no erro e que persistem em crer-se no Senhor, pelo espírito que se elevou e quis apoderar-se do pássaro, fornecendo-nos este exemplo detalhado duma visão deste homem psicologicamente excepcional uma explicação do que foi dito mais acima, sendo ao mesmo tempo o exemplo duma forma de fenômeno psicológico que nos abrirá a via conducente à parte fisiológica do domínio onírico.