As razões para tal descrédito são patentes, visto que no início do século XIV o papa João XXII fulminou contra a Arte Real a terrível bula *Spondent Pariter*, e, somando-se a isso, Cornelius
Agrippa, ao final de sua vida e cansado de todo conhecimento, acusou-a de ser a melhor auxiliar dos falsificadores de moeda, enquanto o paracelsismo acabou por desacreditá-la ao administrar ao corpo humano remédios minerais, deixando presumir aos profanos que ela permite maquinar verdadeiros atentados contra a saúde pública. Condenada por um papa, vilipendiada por um teósofo e combatida pelos médicos oficiais, a alquimia dificilmente poderia ocupar por muito tempo personagens tão preocupados com sua segurança social quanto Belleau, Ronsard ou Scève, que ademais a desprezam como uma doutrina arcaica e passavelmente desueta que a Renascença das letras, ciências e artes não aperfeiçoou em nada, parecendo uma pitoresca irrisão ver solitários maculados de fuligem sustentando a mesma linguagem de sábios góticos como Arnaud de Villeneuve, Raymond Lulle ou Nicolas Flamel em plena era de renovação do espírito humano.