Movimento pós-cartesiano, incapaz de alcançar a ciência verdadeira, detém-se em seus começos, culminando no quietismo científico absoluto de Spinoza, que, proclamando a imobilidade do princípio, impõe ao pensamento uma abdicação inaceitável, ainda que pareça benfazejo diante dos esforços cegos de uma razão que se exaure em lutas estéreis. Após esse impasse, apenas duas direções se apresentam: renunciar a toda metafísica, reconhecendo como única fonte de conhecimento a experiência e dela deduzindo os conceitos necessários – caminho seguido pela Inglaterra e depois pela França – ou retomar a via da velha metafísica fundada no entendimento, direção escolhida pela Alemanha, que, recebendo a metafísica em herança, assume a missão pouco invejável de encabeçar o movimento em prol da filosofia científica. A metafísica tradicional, porém, obrigada a assimilar os elementos introduzidos por
Descartes e a considerar o argumento ontológico, transforma-se num ecletismo amplo e vago, enquanto o empirismo inglês e francês imprime uma orientação subjetiva à filosofia, questionando a origem dos conceitos necessários, como substância e causalidade, que deixam de ser pressupostos para se tornarem objetos de investigação.