7.6 Arte

VETO, Miklos. De Kant à Schelling: les deux voies de l’idéalisme allemand. Grenoble: J. Millon, 1998.

1. Por um momento, mas um momento altamente significativo, aquele que precede imediatamente o sistema da identidade, a arte aparece como a peça-mestra da especulação idealista. Schelling está aqui fortemente inspirado pela Terceira Crítica, e sobretudo pela doutrina do gênio; o centro de gravidade do argumento diz respeito, porém, à obra de arte, não ao artista.

2. Na obra de arte nada é contingente ou fortuito, não se quereria dela retirar ou a ela acrescentar nada. Mais tarde, será em termos metafísicos que a perfeição, a condição necessária da obra de arte, será deduzida; na origem, porém, sua necessidade é explicada em termos biológicos.

3. Schelling atribui, essencialmente, a arte à intuição, podendo porém a noção ser reconduzida até a imaginação enquanto termo médio, agente de ligação ou antes agente de unificação do teórico e do prático. A imaginação é passiva como a razão teórica e ativa como a razão prática.

4. A perfeição da arte, seu caráter próprio de unificação de contrários, atesta-se na síntese que opera entre os princípios primordiais do real. Conduzido no contexto do idealismo transcendental, o argumento desenvolve o tema da unidade do inconsciente e do consciente na criação artística.

5. A dedução da síntese do inconsciente e do consciente será reformulada ainda em outros contextos. A arte é a unificação da forma e da matéria, do teórico e do prático, e sobretudo da necessidade e da liberdade.

6. A unificação das forças operada pela criação artística permite colocar a estética no centro do real e no cume de sua inteligibilidade. A arte não é apenas mediadora entre duas esferas paralelas, mas a realização da unidade superior que as sursume em si mesma.

7. A importância da arte para essa especulação a caminho da identidade absoluta está em que nela lidamos com realidades de inteligibilidade integral que permanecem, no entanto, no particular. A recusa da coisa em si e o definhamento do não-eu favorecem uma visão unitária do real, à qual a arte fornece um horizonte finito, mas de uma finitude que é eo ipso infinitude, ou antes eternidade.