7.5 Organismo

VETO, Miklos. De Kant à Schelling: les deux voies de l’idéalisme allemand. Grenoble: J. Millon, 1998.

1. Schelling designa a natureza inorgânica como “uma inteligência não madura (unreif)”. Ela chegará à maturidade na esfera orgânica, sobretudo nos animais e finalmente no homem. A metáfora de ordem orgânica não é fortuita.

2. Vê-se então melhor por que Schelling aprecia a expressão Stufenfolge, escala graduada, para a sucessão das formas da natureza. A escala não é uma simples linha, mas uma construção que tem degraus.

3. É aqui que a Naturphilosophie mais se aproxima de ser uma lógica universal, ou mesmo positiva, mas é também aqui que toca seus limites. Consciente ou inconscientemente, o schellingismo aspira a uma dedução dos momentos particulares da natureza.

4. Não podendo reduzir a imagem a conceito nem o particular a universal, as leis particulares, e a fortiori as funções particulares naturais, não podem ser deduzidas. Constata-se, certamente, “o encadeamento geral” da natureza, que permite sua construção filosófica.

5. Imediatamente antes do advento do sistema da identidade, Schelling designa o magnetismo, a eletricidade, o processo químico como as categorias gerais da física. Ora, é precisamente o abandono de toda veleidade de construir o movimento da natureza como lógica transcendental que marca a virada da especulação.

6. A Naturphilosophie é uma lógica da progressão em ação na esfera natural. Ora, Schelling discerne os limites de uma metafísica da sucessão, de uma metafísica descendente, e se volta para uma construção por assim dizer horizontal da totalidade.

7. A Naturphilosophie estava fortemente inspirada pelo fichteísmo, ele mesmo tributário da dedução transcendental, portanto da Primeira Crítica. Ora, a renovação do schellingismo se realizará a partir da Terceira Crítica, “a obra mais profunda” de Kant.

8. O organismo é o ponto culminante da natureza, o mais alto objeto da razão teleológica. Ora, Schelling estenderá a noção a toda a natureza: a natureza animada, como a natureza inanimada, é um organismo.

9. Schelling representa todo o real como uma planta, mas o essencial são as aproximações que efetua entre o orgânico e as diversas instâncias da perfeição. O organismo perfeito é a figura humana, e o Estado perfeito é um verdadeiro organismo.