9 Prova de Deus

GABRIEL, Markus. Der Mensch im Mythos: Untersuchungen über Ontotheologie, Anthropologie und Selbstbewußtseinsgeschichte in Schellings “Philosophie der Mythologie”. Berlin; New York: Walter de Gruyter, 2006. (Quellen und Studien zur Philosophie, Band 71).

I. A unidade de ser e pensamento na «Introdução Filosófica à Filosofia da Mitologia»

§9. A inversão schellinguiana da prova ontológica de Deus

1. A operação conceitual principal da prova ontológica de Deus começa com o conceito, a essência, do ens perfectissimum, para daí concluir para sua existência, o ser, partindo do conhecimento de que Deus é o único caso de um ente cujo ser implica necessariamente sua existência, enquanto o finito é justamente definido por que de seu conceito ainda não se segue que também exista.

2. Se a prova ontológica de Deus depara com o pensamento da eternidade de Deus, isto é, com seu ser impensável de antemão, e procura derivá-lo de seu conceito, ela propriamente não fala sequer de Deus, cujo ser prévio a ela, considerado como tal, ainda nem sequer é seu ser, mas apenas o existir sem nome para trás do qual não podemos pensar.

3. Deus como tal não é para Schelling apenas o que existe absolutamente necessário, mas antes o fundamento factual do todo chegado à autoconsciência, que só se liberta de seu mero que na figura de uma relação consigo mesmo, transferindo-o ao saber.

4. Sartre partilha, portanto, a tese de Schelling de que a existência da automediação não pode ser garantida pela automediação.

5. A dialética das potências conduz em seu último ato a uma pura atividade que precede toda determinidade.

6. O si finito é, portanto, um caso do todo.

7. Schelling empreende mostrar, partindo do incondicionado, o fundamento de todo pensamento não mais abarcável por trás, que o incondicionado deve ao mesmo tempo ser pensado de tal modo que não apenas sempre já é, mas sempre também já passou, e só pode ser pensado como catalisador necessário de um processo sempre já posto em marcha: o processo da autoconstituição do ser como autorrelação e, portanto, novamente, como pensamento.

8. Tempo só há quando há uma diferença, isto é, quando há algo como algo, e tempo e juízo se conectam, por isso.

9. A antecipação da filosofia positiva deveria servir para esclarecer o movimento de suprassunção da dialética, pois philosophia ascendens e philosophia descendens se iluminam reciprocamente.