Quando um amigo quer informar o prazer que teve num espetáculo, cujo cenário e encenação apreciou, costuma tentar partilhar o entusiasmo com uma frase como “Sabe, o cenário era meio… 'assim' e a encenação também muito… 'assim'”, acompanhada de gestos e trejeitos que pretendem informar mais sobre o que ele tenta em vão dar a entender.
Ele se serve de expressões cuja função Roman Jakobson chamou “fática” (phatique), destinada não a informar, mas a assegurar que o contato está bem estabelecido entre alguém e seu interlocutor, como “Alô”, “Bom dia, senhor” ou “Aleikum salam”.
O “sabe” (tu vois) inicial é fático, espécie de pedido de verificação (está me ouvindo bem, Maurice?), tanto mais lóquaz quanto nada dá a ver, como o “voilà”, isto é, “vê aí” (vois-là), a que se voltará.
O “assim” (comme ça) não é apenas fático: supõe acrescentar à garantia da comunicação algo comunicado, a substância de uma informação, anunciando uma precisão (espera-se que ele preceda de pouco a elucidação do “isso”, ou do “como é” [comment c'est], como diria Samuel Beckett) e um complemento de informação: eu disse que era genial, e agora explico, era “assim”.
Quem explica assim é semelhante a quem crê ver o que não vê ou ouvir o que não ouve: crê dizer algo quando nada diz, forma da ilusão descrita desde o início do livro.
Um italiano, ouvido por acaso no rádio, dizia igualmente, para partilhar sua admiração por Louis-Ferdinand Céline: Comunque, vedi?, Céline, quindi, cioè… voglio dire… ecco!