Em terceiro lugar, precisam-se os elementos de uma aposta trágica, que explica em profundidade a finalidade da intenção terrorista.
O pensador trágico deve confessar sua única “valor” ou pressuposto: o caráter impensável e portanto invulnerável da aprovação, hors de portée de todo pensamento.
Aposta-se no caráter indestrutível da aprovação e, para experimentá-lo filosoficamente, faz-se jogar a fundo as piores considerações pensáveis, única condição em que o não suicídio pode ser “moralmente” recomendável.
A força do pensamento trágico é solidária à da aprovação, e ambos perecem ou vivem juntos.
O filósofo trágico é um pensador submerso pela alegria de viver que, reconhecendo-a impensável, deseja pensar ao máximo sua prodigalidade impensável, e os melhores meios filosóficos para tal são os do pensamento trágico: o máximo de alegria pensável define-se pelo máximo de trágico pensável.
A pior das filosofias não define a potência aprovadora, mas o ponto mínimo a partir do qual se pode dizer que a alegria é ao menos mais que isso, potência que basta para evacuar o que se pôde constituir de mais envenenado em pensamento.
A filosofia trágica é arte dos venenos, em busca incessante dos piores, e pensa o pior para prestar alguma honra filosófica à sua aprovação.
O pensamento trágico já está seguro de que a aprovação subsistirá, e a aposta é apenas jogo, sabendo-se de antemão que o veneno será ineficaz; o ponto indeciso é se o pior pensado, no momento da aprovação, está à altura das capacidades intelectuais, para não oferecer à alegria um pensamento de pessimismo aparentemente leve ou otimista diante de outra forma de pensamento trágico.
Disso resulta certa indiferença do pensamento em jogo quanto ao conteúdo de seu próprio pensamento.