A Dicotomia entre a Filosofia Existencial Dinamarquesa e o Sistemismo Prussiano A análise da história da filosofia revela uma bifurcação fundamental entre duas metodologias antagônicas de pensamento, sendo a primeira representada pela linhagem dinamarquesa de Soren
Kierkegaard, que concebe a filosofia como uma técnica de construção de subjetividade e escultura de si, na qual a existência se torna uma obra de arte singular e a doutrina serve como bússola para ordenar o caos íntimo, recuperando o sentido antigo da filosofia como modo de vida anterior à sua contaminação teológica e acadêmica; em oposição, a tradição prussiana, simbolizada por
Hegel, reduz a vitalidade e a multiplicidade do mundo a arquiteturas conceituais sistemáticas e inabitáveis, onde o real é submetido à rigidez do conceito e a paixão pelo verbo afasta o indivíduo da experiência concreta das coisas, transformando a disciplina em um exercício de pedantismo e abstração que pouco serve àqueles que buscam dar sentido à própria vida.