A Distinção entre o Filósofo Existencial e a Moda Existencialista É imperativo dissociar a figura de Albert
Camus do movimento existencialista que se tornou um fenômeno de moda em Saint-Germain-des-Prés, associado ao casal
Sartre e Beauvoir, ao jazz, ao álcool e à boemia, pois embora
Camus tenha convivido nesse meio, ele rejeita a etiqueta e a frivolidade de uma doutrina que, quando vulgarizada, transforma-se em um niilismo de pose ou em uma justificativa para o não sentido;
Camus posiciona-se como um filósofo existencial que, recusando tanto a divindade da religião quanto a divindade da História, busca formular uma ética e um art de vivre para tempos niilistas, diferenciando-se radicalmente da ontologia fenomenológica de O Ser e o Nada, obra massiva e pouco lida que serviu de alicerce teórico para uma geração que muitas vezes preferiu a imagem à leitura atenta.