A despeito do conhecimento progressivo dessas falhas morais e políticas, Albert
Camus orquestrou uma redenção pública para seu antigo mestre após a Libertação, oferecendo-lhe espaço no jornal
Combat e mantendo, até o fim da vida, uma fachada de piedade filial exemplificada na prévia escrita para a reedição de
As Ilhas; contudo, a literatura póstuma e os documentos privados, notadamente o manuscrito de
O Primeiro Homem, revelam a verdadeira dimensão do julgamento de
Camus, que, através do personagem Malan — transparente transposição de Grenier —, retrata um homem amargo, cínico, incapaz de generosidade afetiva e consumido pelo medo da morte, estabelecendo uma distinção crucial entre a dívida intelectual, que é impagável e eterna, e a admiração humana, que fora corroída pela constatação da pequenez de caráter do mentor.