Maffesoli

Michel Maffesoli

Michel Maffesoli. Être postmoderne

A modernidade é lenta a morrer, mas sua agonia é inevitável — e os sintomas mais manifestos são o tribalismo, o nomadismo e o hedonismo, banhados numa atmosfera emocional que escapa aos costumes utilitários de uma civilização em deriva.

Nos períodos de mutação, prefere-se permanecer fixado nas convicções, opiniões e preconceitos — a famosa doxa — próprios do que se pode chamar de puberdade intelectual, cujas raízes estão no século XVIII e cujo apogeu se situa no XIX.

Esse, porém, não é o essencial — pois nesse velho mundo em declínio há uma autêntica juventude completamente insensível ao falatório do pensamento correto, que paradoxalmente critica a imaturidade da intelligentsia com poder de dizer e de fazer.

Não se pode fazer sistema sobre a cultura em elaboração — é preciso, sem pretensão, contentar-se em dar alguns vislumbres.

Invertendo o título de um famoso livro de Freud, há forte probabilidade de que o tabu se torne totem.

Pensar esse “nós” de maneira radical significa identificar com o máximo de rigor as raízes desse “nós” em gestação — eis o coração pulsante da pós-modernidade e das páginas que se seguem.