Lovejoy

Arthur Lovejoy (1873-1962)

Peter J. Stanlis em “LOVEJOY, Arthur. The Great Chain of Being. Harvard: Harvard University Press, 1964”.

A Grande Cadeia do Ser, de Arthur O. Lovejoy, exerceu influência decisiva sobre a visão filosófica de Robert Frost, conforme atesta o testemunho de Reginald L. Cook, amigo íntimo do poeta.

As duas obras de Lovejoy forneceram a Frost as fontes históricas do positivismo científico moderno e os contornos filosóficos dos conflitos metafísicos do Iluminismo ao século XX.

Frost venerava a grande erudição e apreciava especialmente a historiografia das ideias, que combinava história e filosofia em suas relações contextuais.

Lovejoy e Frost foram contemporâneos quase exatos, com origens familiares e trajetórias intelectuais marcadas por afinidades profundas, apesar de diferenças de temperamento.

William James exerceu influência duradoura e profunda sobre os padrões gerais de pensamento de ambos, sem que nenhum deles se tornasse discípulo servil do mestre.

Tanto Lovejoy quanto Frost olhavam com ceticismo profundo para toda a tradição do idealismo platônico no pensamento ocidental, preferindo o pluralismo de James ao monismo absoluto de Royce.

Lovejoy distinguiu treze formas de pragmatismo em James, evidenciando que a questão da crença é independente da verificação empírica exigida por ateus e agnósticos racionais.

Ambos preferiram o termo “dualismo” ao “pluralismo” de James, por oferecer um quadro de referência reconhecível entre mente ou espírito e matéria, preservando a ordem sem cair no caos pluralista nem no absolutismo dogmático monista.

Behavioristas como J. B. Watson e B. F. Skinner foram criticados por Lovejoy e Frost por reduzirem o comportamento humano a uma explicação puramente mecanicista e determinista.

A crítica de William James ao “Polvo do Ph.D.” foi amplamente compartilhada por Lovejoy e Frost, que viam na extensão do método científico às humanidades uma grave ameaça à educação.

Apesar das profundas afinidades, Frost e Lovejoy eram indivíduos muito diferentes em temperamento, atitude perante a vida acadêmica e posições políticas.

A Grande Cadeia do Ser forneceu a Frost a perspectiva histórica original sobre as mudanças intelectuais que determinaram a visão do homem sobre a natureza e o universo físico durante três séculos.

A cosmologia revolucionária do século XVII lançou inicialmente o homem em profundo desespero antes de ser suplantada por um otimismo racional que encontrou sua expressão mais perfeita em Alexander Pope.

A crença otimista no determinismo racional da grande cadeia do ser foi contestada por escritores como Voltaire e Samuel Johnson, e depois por Lovejoy e Frost, por sua incapacidade de responder adequadamente ao problema do mal.

O primitivismo cultural — crença na bondade natural do homem pré-civilizado e na corrupção gerada pelas instituições sociais — foi analisado e criticado rigorosamente por Lovejoy e Boas, e refutado por Frost em poucos versos concentrados.

A conclusão de A Grande Cadeia do Ser sintetizou as fraquezas do racionalismo iluminista e confirma o ceticismo duradouro de Frost quanto à suficiência da razão humana.

A fé na grande cadeia do ser foi finalmente extinta pela combinação do idealismo romântico, da teoria da evolução de Darwin e da teoria da relatividade de Einstein, abrindo caminho para a percepção de um universo aberto.