Locke

John Locke (1632-1704)

O empirismo assume em Locke sua primeira formulação paradigmática metodológica e criticamente consciente, superando as versões parciais e condicionadas que apareciam em Bacon e em Hobbes.

John Locke nasceu em Wrington, nos arredores de Bristol, em 1632 — o mesmo ano do nascimento de Spinoza —, e formou-se na Universidade de Oxford, onde obteve o título de Mestre em Artes em 1658 e lecionou como tutor de grego e retórica, atuando também como censor de filosofia moral.

O ano de 1672 marca uma virada importante na vida de Locke, com seu ingresso na esfera política como secretário de Lord Ashley Cooper, chanceler da Inglaterra e conde de Shaftesbury.

A vitória da monarquia parlamentar em 1689 representou o coroamento das convicções políticas de Locke, que retornou a Londres colhendo reconhecimento e fama por toda a Europa.

A obra-prima de Locke é o monumental Ensaio sobre o Intelecto Humano, publicado em 1690 após uma gestação de cerca de vinte anos, ao qual se somam escritos de caráter ético-político, religioso e pedagógico.

Três grandes interesses orientaram a obra de Locke, sendo o gnoseológico de longe o mais importante, seguido pelo ético-político e pelo religioso.

Locke herda o programa baconiano de aperfeiçoar o uso do intelecto, mas o radicaliza ao deslocar o exame dos objetos do conhecimento para o próprio sujeito cognoscente — suas capacidades, funções e limites.

Como nasceu o Ensaio lockiano

A origem do Ensaio sobre o Intelecto Humano foi casual — uma reunião entre cinco ou seis amigos que, ao discutir um tema distante, depararam com dificuldades intransponíveis e reconheceram a necessidade de examinar previamente as próprias faculdades.

Uma página em que Locke resume seu projeto

A Introdução do Ensaio expõe, com plena consciência crítica, o intento geral da nova filosofia lockiana: conhecer a extensão e os limites do intelecto humano para orientar o pensamento com proveito e evitar tanto o ceticismo paralisante quanto as disputas infindáveis.