A organização ficcional do material histórico e a construção do enredo, conforme analisado por Paul
Ricoeur, revelam que o pensamento nasce da articulação entre constrangimento e inventividade, onde o rememorar do passado abre o futuro; contudo, diante de experiências de excesso, como a ascensão de Dante ao Paraíso, a memória pode falhar, e é nesse ponto de ruptura que a escrita poética assume o papel de ficção interpretativa para suprir as lacunas da memória, transformando o indizível em matéria de canto e operando uma tradução necessária, pois a apreensão direta da realidade absoluta seria insuportável.