A tentativa de aliviar a tensão corporal através da água do rio é brutalmente interrompida pelo ataque inimigo, impedindo a purificação pela via úmida e petrificando o herói, momento em que emerge do fundo do ser uma voz antagonista que sugere a deserção, interpretada contingentemente como demoníaca.
A experiência do desdobramento interior remete à imagem do castelo da alma, presente na mística de Mestre Eckhart e Santa Teresa de Ávila, demonstrando que tais manifestações provam a existência de um ponto fixo na consciência onde energias de sinal contrário permanecem disponíveis para restabelecer o equilíbrio dialético do espírito.
A reintegração do protagonista à massa coletiva na trincheira, simbolizada pelo número cinco e pela fusão tátil com os companheiros, marca o fim da fase de morte e o início da regeneração através do fogo, que atua como elemento sicativo e sublimatório, transformando a matéria sólida e depurando o ser.
A substituição do nome Urutu-Branco pela alcunha Tatarana, a lagarta de fogo ou salamandra heráldica, sinaliza a transição alquímica para a via seca, onde o adepto, incapaz de se purificar pela água, submete-se ao fogo secreto para que uma nova personalidade emerja do cadinho da batalha.
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*PS: UTÉZA, Francis. JGR: metafísica do grande sertão. São Paulo, SP, Brasil: Edusp, 1994.*