GODWIN, Joscelyn. The Golden Thread: The Ageless Wisdom of the Western Mystery Traditions. Newburyport: Quest Books, 2014.
A noção de religião da arte surge como resposta histórica ao vazio espiritual deixado pelo declínio do cristianismo católico enquanto forma religiosa total.
Os movimentos esotéricos modernos ofereceram experiências espirituais autênticas, mas restritas a minorias.
Faltava-lhes uma dimensão exotérica capaz de alcançar a totalidade do corpo social.
A religião da arte aparece como tentativa de preencher esse vazio em escala cultural ampla.
O desaparecimento de figuras espirituais integradas à vida institucional marca uma ruptura decisiva.
Na Idade Média, altos níveis de realização espiritual coexistiam com funções políticas, intelectuais e sociais.
Santos, místicos, teólogos e construtores encarnavam uma síntese viva entre esoterismo e exoterismo.
A perda dessa síntese contribuiu para o empobrecimento da experiência religiosa comum.
O conceito de entusiasmo sofre uma degradação semântica significativa.
Originalmente designava a possessão divina.
No século XVIII passa a significar excesso emocional ou desvio irracional.
A experiência espiritual torna-se socialmente suspeita e intelectualmente desconfortável.
A arte torna-se o novo espaço de acolhimento do entusiasmo excluído da religião institucional.