Spinoza integrou-se à rede europeia da República das Letras sobretudo por meio de Henry Oldenburg, com quem manteve a correspondência mais bem conservada, e cujas relações com sábios locais evidenciam o alcance científico desse tecido epistolar, que fez os intercâmbios de Spinoza percorrerem temas que iam do cálculo de probabilidades à existência de fantasmas.
Henry Oldenburg, secretário fundador da Royal Society, conheceu Spinoza em visita à Holanda e tornou-se peça central de sua integração à rede europeia, embora a publicação do Tratado teológico-político e a leitura do manuscrito da Ética tenham gerado reservas que interromperam por dez anos sua correspondência com o filósofo.
Christiaan Huygens, matemático e astrônomo de primeira ordem e vizinho de Spinoza, manteve com ele relações limitadas a questões de óptica.
Johannes Hudde, matemático e físico especialista em óptica, compartilhava com Spinoza e Huygens seu trabalho de polimento de lentes.
Johannes Van der Meer, matemático voltado à pesquisa aplicada, interessou-se por estatística no mesmo espírito que John Graunt.
Jacob Ostens, pregador liberal mennonita, foi quem solicitou a Van Velthuysen uma recensão do Tratado teológico-político e pediu a Spinoza sua resposta.
Lambert Van Velthuysen, médico e filósofo cartesiano, reagiu inicialmente de modo hostil ao Tratado teológico-político, mas depois de conviver com Spinoza em 1673 manteve relações cordiais, sem deixar de escrever, após a publicação das Opera Posthuma, uma refutação da Ética.
Johannes Georges Graevius, professor de retórica em Utrecht, correspondeu-se com Spinoza num tom próprio de amizade próxima.
J. Ludwig Fabricius, professor de teologia em Heidelberg, escreveu a Spinoza por ordem do Eleitor palatino para oferecer-lhe uma cátedra de filosofia, proposta que, por conhecer o Tratado teológico-político, formulou de modo a levar Spinoza a recusá-la.
Hugo Boxel, jurista com quem Spinoza trocou plaisanteries francas que testemunham verdadeira afeição, não possuía, contudo, conhecimento aprofundado da filosofia espinozista.
Willem Van Blyenbergh, comerciante e autor teológico já publicado antes de contatar Spinoza, revela-se um polemista e não um simples amador ingênuo, cujas cartas constituem a primeira reação do meio calvinista à obra do filósofo.
O intercâmbio entre ambos combina o desejo sincero de Blyenbergh de progredir em filosofia com uma desconfiança prévia em relação a ela, levando Spinoza a excluí-lo definitivamente de seus correspondentes após um encontro pessoal, e Blyenbergh a tornar-se, anos depois, autor de refutações publicadas contra o Tratado teológico-político e a Ética.