A relevância da interrogação desenvolvida na década de 1980 sobre o quão hermenêutica é a desconstrução e o quão desconstrutiva é a hermenêutica permanece inalterada, pois, não obstante as origens e temas compartilhados, estas correntes representam alternativas filosóficas distintas que exigem a elucidação de suas diferenças; no que tange aos protagonistas, o debate deixou traços profundos no pensamento de
Gadamer, que aceitou o desafio de Derrida e refinou suas posições em ensaios subsequentes como
Destruktion und Dekonstruktion e
Hermeneutik auf der Spur, reconhecendo no filósofo francês uma das figuras mais importantes encontradas desde a publicação de
Verdade e Método, equiparando o impacto de sua leitura, iniciada com o ensaio
Ousia e Gramme, àquele provocado pelas obras tardias de
Wittgenstein e pela poesia de Paul Celan.