Mas qual é o conteúdo dessa «sugestão», o que ressoa nessa «ressonância» que é o sentido mesmo do poema? Em outras palavras, o que é, em sua essência, a poesia? Depois de ter refutado um certo número de definições propostas por outros autores 1), Viçvanâtha diz: «A poesia é uma palavra cuja essência é sabor» 2). E explica o que é o «sabor» (rasa): «Uma emoção fundamental, como o amor, manifestada pela representação de suas causas ocasionais, de seus acompanhamentos sensíveis e de seus efeitos, torna-se sabor para aqueles que têm uma consciência.» O Sabor não é, portanto, a emoção bruta, ligada à vida pessoal; é dela uma representação «sobrenatural» (lokottara), é um momento de consciência provocado pelos meios da arte e colorido por um sentimento. Ousaria dizer: uma emoção objetiva? Seria uma noção bem estranha à nossa mentalidade, mas se nos lembrarmos dos momentos de emoção estética intensa que vivemos, nos virá um certo «gosto»: e veem como se impõe essa imagem gustativa. O Sabor é essencialmente uma cognição, «brilhando de sua própria evidência», portanto imediata. É «alegria consciente (ânandacinmaya)… mesmo na representação de objetos dolorosos», pois não está ligada ao «mundo» ordinário; é dele uma recriação em outro plano. É animada pela «admiração sobrenatural». É «irmã gêmea da gustação do sagrado». «Aquele que é capaz de percebê-la a saboreia, não como uma coisa separada, mas como sua própria essência.» É «simples, como o sabor de um prato complexo 3)». Só pode ser apreendida pelos homens «capazes de julgar» 4), tendo um «poder de representação» e exige um ato de «comunhão» 5). Não é um objeto existindo antes de ser percebido, «como uma jarra que se vem iluminar com uma lâmpada»; existe na medida em que é saboreado. Não é um «efeito» mecânico dos meios artísticos, que apenas a «manifestam». Não está submetida ao nosso tempo (o tri-kâla: passado, presente, futuro). Não é, portanto, «deste mundo». «Só se conhece comendo-a.»
É esse Sabor que o «poder de sugestão» da linguagem tem por função manifestar 6).
A noção de rasa está no centro da estética hindu. Não comentarei as citações que precedem. A ilusão de tê-las compreendido me impediria de trabalhar para compreendê-las, e esse esforço para compreender sempre um pouco mais tem sido para mim dos mais fecundos.
—
*PS: Approches de l'Inde - Tradition et incidences, dir. Jacques Masui, Cahiers du Sud, 1949*