Estabelece-se uma distinção ontológica fundamental entre o interesse histórico e o interesse romanesco, tal como Stendhal anotara nas margens das Crônicas italianas, onde a história, apoiada em documentos, difere radicalmente do romance, o qual detém a prerrogativa da possibilidade do impossível, ou seja, a penetração na intimidade de uma consciência alheia e o conhecimento do que se passa no coração dos heróis, uma característica essencial da ficção meditada contemporaneamente por Dorrit Cohn.