TAYLOR, Charles. A secular age. First Harvard University Press paperback edition ed. Cambridge, Massachusetts London, England: The Belknap Press of Harvard University Press, 2018.
A investigação parte do reconhecimento de que, em algum sentido relevante, a condição secular caracteriza as sociedades do mundo atlântico-norte, ainda que essa condição se estenda, de modo parcial e heterogêneo, para além desse espaço.
A evidência comparativa da secularidade emerge quando essas sociedades são cotejadas, de um lado, com quase todas as demais sociedades contemporâneas e, de outro, com o conjunto da história humana.
A dificuldade decisiva, porém, não reside em afirmar a secularidade, mas em determinar em que exatamente ela consiste, uma vez que seu conteúdo permanece ambíguo.
A análise propõe, contudo, uma terceira compreensão de secularidade, articulada com a segunda e em contato indireto com a primeira, mas dotada de autonomia explicativa.
O foco desloca-se da presença institucional de Deus e das estatísticas de prática para as condições de possibilidade da crença.
A secularidade, aqui, consiste na transformação do horizonte em que crer se torna uma opção entre outras, frequentemente não a mais fácil.
A passagem decisiva é descrita como transição de uma sociedade em que crer em Deus era não desafiado e não problemático para uma em que a crença é uma possibilidade disputada e não axiomática.