TAYLOR, Charles. A secular age. First Harvard University Press paperback edition ed. Cambridge, Massachusetts London, England: The Belknap Press of Harvard University Press, 2018.
Além da plenitude e do exílio, descreve-se uma condição intermediária estabilizada, frequentemente desejada, que busca escapar do vazio sem alcançar a plenitude.
Essa condição depende de uma ordem estável, frequentemente rotineira, em que atividades têm significado.
O significado pode ligar-se à felicidade ordinária, ao sentimento de realização, e à contribuição ao bem.
O cenário exemplar combina vida familiar, vocação satisfatória e contribuição evidente ao bem-estar humano.
A estabilidade do meio termo exige que a ordem cotidiana mantenha à distância o exílio e o tédio.
Essa estabilidade exige também contato contínuo com a plenitude e sensação de movimento lento em sua direção, pois a renúncia total a ela desestabiliza o equilíbrio.
A função dessas categorias, plenitude, exílio e meio termo, é compreender crença e incredulidade como condições vividas e não meramente como adesões teóricas.
A oposição não se reduz a proposições, mas envolve formas de sensibilidade, orientação e experiência.
A análise procura revelar o que muda na vida quando o sentido de plenitude, ausência e equilíbrio é vivido sob um enquadramento ou outro.
Uma extensão possível, descrita como feuerbachiana, interpreta a referência a Deus como projeção dessa potência interna, mas sem atribuir isso ao próprio
Kant.
Deus pode ser lido como exteriorização indevida do poder moral humano.
A tarefa seria reapropriar essa potência como propriamente humana.
Essa leitura reforça o eixo da interioridade como fonte do pleno.
Uma terceira família de perspectivas, associada a certos pós-modernismos, rejeita tanto a razão autossuficiente quanto consolos românticos, sem oferecer fonte externa de poder.
Essas perspectivas atacam as pretensões de centro e unidade, sublinhando divisão, ausência e falta de plenitude.
A plenitude pode ser tratada como sonho necessário para mínima inteligibilidade, mas sempre inalcançável.
Apesar de parecerem fora da estrutura de plenitude, exílio e meio termo, elas extraem energia da coragem de enfrentar o irremediável e seguir adiante.
A disputa entre crença e incredulidade requer compreensão do modo como construtos são vividos, seja ingênua, seja reflexivamente, e de como se tornam opções por defeito.
A análise recusa tratar a disputa como mero confronto de teorias equivalentes sobre experiências comuns.
Ela exige mapear assimetrias de posição, isto é, por que uma opção aparece como natural e outra como estranha em determinados meios.