BOUGNOUX, Daniel. Sciences de l’information et de la communication. Textes essentiels. Paris: Larousse, 1993.
As nossas ciências sofreram de uma doença infantil resumida no antagonismo entre os “apocalípticos” e os “integrados” proposto por Umberto Eco. De um lado, uns se dedicavam à comunicação para denunciar seus malefícios: não se contam os anátemas lançados pela alta intelectualidade contra a vulgaridade dos meios de comunicação ou da cultura de massa, acusados de arruinar a cultura, os territórios ou as identidades. A fobia das tecnologias, de preferência novas (pois ninguém pensa em denunciar as antigas, que se tornaram naturais e quase consubstanciais para nós), continua a alimentar diatribes enfadonhas contra as telas (entorpecedoras), a publicidade (martelante ou idiotizante), o “tautismo” e outros dragões da mesma laia.
Por outro lado, e simetricamente, espera-se que essas mesmas máquinas tragam a saída da crise, ou mesmo da era industrial, uma gestão mais suave e finalmente racional do trabalho, da administração, das relações sociais ou internacionais, em suma, uma proximidade e uma convivialidade recuperadas.
Em ambos os casos, a profecia ou a extrapolação precedeu a análise. Preferimos lamentar ou aplaudir a compreender, mas esses ruidosos certificados de moralidade nunca fizeram avançar o conhecimento. Portanto, convém entrar em nossa disciplina afastando seus imprecadores e profetas e examinar os fenômenos com um olhar mais realista.