BOUGNOUX, Daniel. Sciences de l’information et de la communication. Textes essentiels. Paris: Larousse, 1993.
Definimos a pragmática pela relação sujeito-sujeito, cuja particularidade é ser reflexiva, especular ou impregnada de imaginação (de identificações, antecipações e projeções). Ao romper com o esquema estímulo-resposta, o raciocínio cibernético preparou e pode relançar esses estudos. A cibernética interpreta toda organização não em termos de substância, mas de informação, e como uma combinação de mensagens; essa síntese lógica traz uma revolução ontológica, que abala as antigas divisões entre corpo e mente, organismo e seu meio, humano e máquina, micro e macro…, tanto quanto entre as disciplinas.
Uma das questões filosóficas em que o raciocínio cibernético merece penetrar é, nomeadamente, saber o que significa “fazer sentido”. A alquimia do sentido está no centro de nossas performances comunicacionais, na medida em que apenas as mensagens compatíveis com o fechamento informacional (ele próprio ligado ao fechamento organizacional) de cada um circulam bem de um sujeito para outro, ou dentro de uma comunidade. Essa fechamento resulta de uma construção indefinidamente recursiva, em que o objeto e o sujeito, o eu e o outro, o indivíduo e a comunidade passam continuamente de um para o outro através de diferentes interfaces.
Desde Descartes, identificamos nossa razão a uma cadeia e condenamos os círculos como viciosos. O raciocínio cibernético convida a romper com esse modelo de cadeia, em favor de loops ou círculos não viciosos, mas “virtuosos”. Ao destacar as relações e a causalidade circular (que não deixa de ter paradoxos para o antigo paradigma), a cibernética multiplicou as pontes lógicas e as metáforas. Essa ciência das solidariedades e dos sistemas privilegia a interação em todos os lugares e remete a ideia de um sujeito, de um ser vivo ou de um conhecimento isolados à ficção.