Ao buscar o presente do tempo discursivo, Derrida não o encontra: esse presente não está no tempo da enunciação, mas num movimento de temporalização que coloca a diferença e torna o presente produto de uma síntese original que só se produz no movimento que o retém e o apaga.
Se não há presente puro enquanto tempo da enunciação pura, a distinção entre tempo histórico e tempo discursivo se torna frágil; o tempo histórico já está implícito no tempo discursivo da enunciação.
O je, para funcionar como ato de linguagem, deve ser constituído pela possibilidade de repetição; se a repetição é original, então não há o novo, o inédit, na linguagem; o falante está sempre ausente de sua linguagem.
Husserl distinguiu dois tipos de falta de sentido: o nonsense de a minhoca está de, que viola as regras da gramática lógica pura; e o contrassenso de o círculo é quadrado, que as respeita mas carece de objeto possível.
Je suis mort respeita as regras da gramaticalidade; tem um sentido ainda que obviamente falso; não é nonsense mas contrassenso inteligível; e a condição necessária para que a pessoa viva fale é sua possibilidade de dizer significando estou morto.
Consequentemente, a certeza conferida à dissimetria da linguagem e ao pacte de la parole fica questionada: Derrida pergunta se é possível distinguir esse pacto do fantasma, e se as coisas são realmente tão claras quanto pareciam após a intervenção de Hyppolite.