Hegel, na Fenomenologia do Espírito, critica a consciência infeliz e a morte de Deus, tentando reconciliar tudo numa mediação que fecha um capítulo greco-cristão mas deixa a porta aberta para o historicismo; os grandes anti-hegelianos —
Kierkegaard com sua ironia existencial,
Marx com a supressão das alienações que arrisca terminar no mesmo nada da repetição, e
Nietzsche — vão à guerra contra o espírito total. O niilismo russo, de Turgenev a Dostoievski, populariza o termo e expõe a lógica de que se Deus não existe, tudo é permitido; contudo, é com
Nietzsche que o niilismo mostra suas máscaras, definindo-se como a desvalorização dos valores superiores e a vontade de poder que, se a vida é desprovida de sentido, deve repô-la em movimento, culminando na figura do “sobre-humano” e no eterno retorno, enquanto a humanidade vive tempos intermediários sob o espírito de vingança.