A distinção biológica entre a autotrofia vegetal e a heterotrofia animal impõe a esta última a necessidade de mobilidade e expressividade, desencadeando uma corrida evolutiva onde a capacidade de modificar a aparência (homocromia e homotipia) permite ao animal desviar os mecanismos de agressão através da ilusão, seja para se esconder (mimetismo defensivo e somatólise) ou para atrair presas (mimetismo ofensivo).
A complexidade dos fenômenos miméticos abarca desde estratégias não visuais, como as larvas do coleóptero *Atemeles pubicollis* que imitam o comportamento e o odor das larvas de formiga para serem alimentadas por elas, até ao mimetismo ostentatório onde espécies inofensivas imitam a coloração de espécies venenosas (como as falsas corais) ou formam cadeias de proteção mútua através da padronização de sinais de perigo.
O mimetismo agressivo leva a economia da armadilhagem ao seu paroxismo, como no caso do louva-a-deus *Hymenopus coronatus* que se confunde com orquídeas para devorar insetos, ou do peixe *Antennarius commersoni* que combina camuflagem perfeita de rocha com uma isca viva, demonstrando que a analogia é o instrumento vital que permite ao ser vivo escapar à fatalidade da identidade e sobreviver no devorante absurdo do real através da ilusão eficaz.
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*PS: ALLEAU, René. A ciência dos símbolos: contribuição ao estudo dos princípios e dos métodos da simbólica geral. Isabel Braga. Lisboa: Edições 70, 1982.*